<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235</id><updated>2012-01-21T19:55:50.745-08:00</updated><category term='Crônicas'/><category term='Contos'/><category term='Ensaios críticos'/><title type='text'>Escrevendo em sustenido.</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>24</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-4238431582283118031</id><published>2012-01-21T19:28:00.000-08:00</published><updated>2012-01-21T19:47:05.602-08:00</updated><title type='text'>Dialética do perdão ou do perdoável.</title><content type='html'>Perdão, velho amigo Perdão, onde foi que eu te deixei? Em que esquina, em que caixa registradora de bar eu posso ter te esquecido? Tenho a impressão de que de ti fui desprovido ou surrupiaram-te. Algum outro homem, sujo e desonrado como um anti-herói sofocliano, deve ter te leavado de mim e hoje te carrega em seu bolso, ostensivamente, e te impregna de um infame orgulho masculino do qual eu não era conhecedor até perder-te. Que fiz de ti? Foi por culpa minha que, por acaso, fugiste? Ou foi pura armadilha do amadurecimento (este do qual corro freneticamente, fujo como quem foge de si)?&lt;br /&gt;Perdão, deves me perdoar porque eres uma mulher. E, queria eu não, eu te amo. Te amo e não te posso ter porque um dia te dei tudo de mim e um dia fui todo preenchido pelas tuas atitudes infantis, diplomáticas e traiçoeiras. De fato, creio que tu és uma mulher porque és também um jogo e mesmo perdendo te busco e tento de decifrar. Por que outro motivo perguntaria a mim mesmo pelo seu paradeiro?&lt;br /&gt;Esperas uma oportunidade de me testar? Tenho tido medo. Não creio que poderei te dar tal oportunidade. Quero te provar, de sentir e me acalmar porque és também entorpecente e alucinógeno. Tal qual mulher. Perdão, depois de nos unirmos também trocaremos confissões? Te dirás meu para sempre? Não sei se te quero pra sempre. Tu me fazes parecer nobre a ao mesmo tempo bobo. Talvez precise mais de ti em outros corpos porque venho errado muito por pensar demais. Quero que alguém me entregue seu próprio Perdão para que eu possa me sentir humano e possa sentir o amor ao invés de pensa-lo; mas quem irá me perdoar por ser tão racional? &lt;br /&gt;Será isso caos? E tu, que és? És ordem? (ou és a interação?)&lt;br /&gt;A filosofia também me abandona. Sou desprovido de razão, sem ti. Talvez, num último lapso fique a dúvida: te tenho perdoando ou te recebo (tal qual um tapa) por amar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-4238431582283118031?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/4238431582283118031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/4238431582283118031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2012/01/dialetica-do-perdao-ou-do-perdoavel.html' title='Dialética do perdão ou do perdoável.'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-2426611132574951336</id><published>2011-08-30T12:02:00.000-07:00</published><updated>2012-01-21T19:51:20.175-08:00</updated><title type='text'>Capítulo 1</title><content type='html'>Como quando se machuca o pé: existe uma dor e existem dores; ruim mesmo são essas dores, que ressurgem como fossem cíclicas e atormentam, e  perseguem, e revolvem o ser numa dessas Karin de Bergman em "&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Såsom i en spegel&lt;/span&gt;". Todo medo é Deus, todo acontecimento é profético. Bem assim é o amor e suas consequências. Como deuses, também é o amor criação humana. Também é o amor difusor de caos e harmonia, morte e vida.&lt;br /&gt;Como quando se levanta  pela manhã ao som de frenéticas batidas na porta e os olhos inchados perguntam-se, Quem é?, Que horas são?, perguntas que são logo respondidas pela voz de si que diz, É ela, Fodeu, ou para aqueles que, como os pintores e cineastas, pensam por imagens, surge-lhes a placa indicando Piso Molhado, Material Radioativo, e outras semelhantes.&lt;br /&gt;Acordei hoje e pensei que tentavam derrubar minha porta, perguntava-me o que a traria aqui, não havíamos terminado? E então? Punha-me no lugar dela e sentia pena. Não deveria, mas que fazer? Sentia-me também torpe por ser capaz de tornar alguém dessa forma, subverter o orgulho de um ser humano não é algo de todo vulgar e é ofensivo a uma consciência; salvo em ocasiões de debate ideológico. Levantei devagar da cama, Seja lá o que ela queira, ela precisa se acalmar um pouco. Claro que era só uma forma de me enganar para me sentir capaz de ir lavar o rosto antes de abrir a porta. Os baques ressoavam como bumbos pelo corredor e eu tentava fingir que não era comigo. Há quanto tempo será que ela bate? A porta parecia distante, o ponto de gravidade do planeta girava na minha cama, e a porta não cessava de bater. Sei que ela ia tentar querer um retorno, mas como posso fazer isso se não me sinto mais conectado a ela, se, afinal, tudo isso só serve para nos afastar mais ainda? A esperança daquela criatura me repugnava, e eu me condenava por me sentir assim com uma pessoa que me amava. Afinal, que espécie de gente pode ser tão burro a ponto de se apaixonar por mim? Barriguo, bêbado, fumante, orgulhoso, arrogante? Se bem que, no fundo da questão, todos somos barrigudos, bêbados, fumantes, orgulhosos, arrogantes, mesmo que não tenhamos barriga grande nem da bebida ou do cigarros sejamos usuário, e mesmo que tenhamos nos convencidos de que "temos que respeitar a opinião alheia", porque dessa opinião não abrimos mão.&lt;br /&gt;Quando ela entrar, enorme será a discussão. É sábado. São dez e trinta e seis da manhã, mas que diabo? Eu mereço um café por levantar a essa hora pra atendê-la. Ah, se mereço. Decido que colocarei uma água pra ferver. JÁ VÔ, gritei. Depois de deixar a água no forno, fui ao espelho novamente, joguei uma água no cabelo e fui à porta. Quando estava quase abrindo a maçaneta, lembrei que só tinha água pra um, dei meia volta para colocar mais água na chaleira, pensava, enquanto enchia a panela, em como eu podia tornar tudo tão ruim que ela desistisse de ir atras de mim. Podia ser rude, Poderia dizer que havia achado outra, Poderia dizer que virei gay, e pensamentos assim se seguiam. Cheguei até a pensar em soltar uns arrotos pra ver se eu me tornava nojento pra ela, mas perigava de ela dar risada e falar, Sinto saudades de você me fazendo rir.&lt;br /&gt;Alcancei a porta, abri a maçaneta, deixei os olhos meio baixos para ela ver que eu ainda tinha sono e abri a boca pra murmurar algo tipo, O que aconteceu?, mas fui interrompido:&lt;br /&gt;- Senhor, a sua conta de eletricidade está atrasada, os homens da companhia elétrica estão lá em baixo pedindo autorização pra entrar no condomínio e cortar seus fios elétricos.&lt;br /&gt;Merda, eu ainda estou apaixonado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-2426611132574951336?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/2426611132574951336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/2426611132574951336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2011/08/capitulo-1.html' title='Capítulo 1'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-7246572777869528950</id><published>2011-08-30T09:34:00.000-07:00</published><updated>2011-08-30T18:24:48.476-07:00</updated><title type='text'>Roberto bem que avisou sobre as flores...</title><content type='html'>Lembro claramente que da imensa janela do seu quarto viam-se alguns dos mais famosos moteis de Salvador. Não que eu tivesse segundas intenções com você; apesar de te desejar já naquela época, não tinha a mínima pretensão de usufruir desses instintos (torpes?). Pensava mesmo que se um dia nos casássemos, eu poderia esperar até esse dia para te ter definitivamente. Éramos só crianças.&lt;br /&gt;Conversávamos nesse dia com amigos e ouvíamos músicas que você gostava. Lembro claramente das músicas e das suas expressões ao ouvi-las. Em determinado momento, percebendo meu desconcerto, você até me pediu para que sentasse ao computador e escolhesse algo que me agradasse. Sentei-me e iniciei a busca. Você veio sentar-se delicadamente ao meu colo como quem quer agradar e observava o que eu fazia.&lt;br /&gt;Preparávamo-nos para almoçar. Eu, você e nossos dois amigos distraíamo-nos para esquecer o ruído do estômago com fome, pois o dia já chegava à décima quinta hora e ainda estávamos só com o café da manhã. Lembro-me de olhar-me no grande espelho que compunha a parede no corredor da sua casa. Eu estava com uma calça larga e enorme, o que aumentava minha miudez. Meu cabelo estava enorme e desorganizado, eu devia aparentar 12 anos, apesar dos 15. Via-me feio.&lt;br /&gt;Você estava como tivesse se arrumado toda a manhã para me receber. Lembro do cheiro doce e suave do seu perfume e do brilho nos seus cabelos. Lembro que toda vez que você sorria uma rosa aparecia pendurada na sua orelha como na primeira vez que te vi. Nos meus devaneios de criança pensava em como um ser de beleza tão divina poderia encostar os dedos áureos em mim, ser de tanta desarrumação.&lt;br /&gt;Ríamos muito naquele dia. Nossos amigos sentados à sua cama se divertiam rindo das nossas besteiras. A gente era bem parecido nesse sentido. Recordo inclusive de alguém dizer que nós daríamos certo porque tínhamos humor semelhante. Até sua antiga coleção de ursos de pelúcia gargalhava do alto da prateleira. Assim lembro-me do quarto: entrávamos no ambiente retangular pela porta que ficava no canto de um dos lados do retângulo, à nossa esquerda estava as prateleiras dos bichos e abaixo delas um mini-sofá com almofadas femininas, pouco à frente estava a cama, com a cabeceira encostada na parede da direita, ao lado da cama, apoiado na mesma parede, estava o computador e na frente dos dois, o armário. A porta dava pra grande janela.&lt;br /&gt;Meu fascínio por você tinha qualquer coisa de flor. Sua beleza, já naquela época, era estonteante. E você só tinha 14 anos. Eu olhava pra você como se olham as Cataratas do Iguaçú, ou a Vênus de Milo. Por outro lado, você não era diferente de nenhuma préadolescente fútil. Suas roupas, discursos, preferências, você era uma menina comum com uma beleza helênica e isso, estranhamente, me encantava exponencialmente. Não porque fosse contraditório ou qualquer coisa, o que me encantava era a forma de você articular as duas coisas, desorganizando qualquer forma de sistema onde pudesse encaixar sua beleza. Sua beleza escorria pelos dedos da teoria da estética, buscava a harmonia e harmonizava como Bach.&lt;br /&gt;Almoçamos e, quase fim de tarde, tinha de ir pra casa. Agradeci a sua mãe pela refeição e desejei um, Boa tarde pra senhora, que foi rebatido com um, A Senhora está no céu! Desci o elevador como quem levou uma bofetada, mas depois achei graça. Já no pátio você me convida a sentar consigo nos degraus frios de mármore branco na frente do prédio. Sentamos. Meus joelhos virados para os seus, os seus virados para frente. Muitas roseiras no jardim, o ambiente se construía nos verdes das folhas, o branco do mármore, o marrom da terra e poucas rosas vermelhas e amarelas. Achei o lugar romântico. Você disse que não queria mais. Escorre uma lágrima curta, fina e fria pela minha face. Passo os dedos, tento disfarçar. Levantei a coluna, disse que te entendia e que aceitava. Pedi um último beijo, você cedeu. Foi um beijo desajeitado como todos os outros. &lt;br /&gt;Passei dias pensando nisso. Chorei de vergonha e decepção comigo mesmo. Foi meu primeiro choro de amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-7246572777869528950?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/7246572777869528950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/7246572777869528950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2011/08/roberto-bem-que-avisou-sobre-as-flores.html' title='Roberto bem que avisou sobre as flores...'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-7821126960984082664</id><published>2011-08-25T06:26:00.000-07:00</published><updated>2011-08-25T14:27:19.169-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Crônica sobre o caos e a beleza.</title><content type='html'>Naquele dia eu estava completamente só. E não era em minha casa porque lá não estava. Estava numa cidade estranha, mas não completamente. Eu já havia sentido o cheiro daquela cidade antes: talvez numa das viagens da minha família. Talvez fosse Maceió. Mas a cidade estava completamente deserta, por isso talvez eu esteja enganado. Andava a esmo vendo construções sem cores e só mantinha contato com uma brisa que cheirava a mar e que fumava meu cigarro: coisa de Iansã.&lt;br /&gt;Se me perguntassem sobre o que pensava, responderia que não pensava porque me faltavam pessoas. Não sei se é qualidade, defeito ou só mais uma característica que pertence a todos da minha espécie, mas meu pensamento só se cria se serpenteando, se esgueirando ou saltando sobre o caos. Careço de entrechoques de opinião, de conflitos, de euforia, entusiasmo, aqueles brados de trovões nas vozes das pessoas, para que minha opinião - enfim - entre em erupção de modo instantâneo e fervoroso. Acho mesmo que essa coisa toda de caos genésico é vulgar.&lt;br /&gt;Não existia, portanto uma linha de pensamento criada nem sendo seguida. Mas existiam impressões, existiam respostas hormonais às paisagens vislumbradas. Via uns tantos corredores de prédios e eles pareciam querer se tocar. Não, eles desmoronavam uns sobre os outros. Bastava eu olhar pra cima e lá estavam eles, bram!, bram!, o mais alto caia sobre o mais baixo e depois ambos era pura poeira no chão. Se eu não olhava pra eles, entretanto, nada acontecia pois olhando exclusivamente para o chão eu não via mais poeira caindo, sinal de que os prédios cessavam de cair. Corri um tempo olhando estritamente para o chão e depois de algum tempo qualquer tipo de paz caiu sobre mim. Levantei um pouco a cabeça, girei o corpo em 180ºe fui elevando as vistas para ver o que se passava. A cidade parecia tranquila. Senti novamente o vendo na nuca e acendi outro cigarro. Estranhamente, minha mão tremia, tremia, xinguei, o cigarro não ia de encontro à chama, eles se estranhavam e se tratejavam como as cordas e o braço de um violão quebrando as notas da harmonia. Quando, enfim, pude acender o cigarro, respirei o ar puro e olhei novamente as contruções, só então percebi que o que o tremor do cigarro com a chama parecia ter tomado conta do chão que eu pisava e eu não podia mais ficar parado.&lt;br /&gt;O tremor me derrubou e, ao cair sentado no chão, vi o sol lançando seus raios intensos sobre o asfalto que, de repente, começava a rachar e a se dividir. Pedaços, blocos de asfalto subiam envolvidos de tanta quentura emergiam alguns metros sobre o chão e chacoalhavam, vibravam, rangiam entre si como as guitarras sujas de Jack White. O vento, que parecia não estar ali até um segundo antes, agora levava as placas emergidas ao encontro, estrondo, elas conflitavam, lutavam para saber quem sobreviveria, rodopiavam e de repende me notaram. Eu me econtrava no único círculo de chão que ainda continuava intacto, voltei os mesmo sento e oitenta graus sobre meu próprio eixo e vi que a cidade que estava às minhas costas intacta estava e parti em direção a ela desesperado com as placas de asfalto me perseguindo, chocando-se entre si, os barulhos me atordoavam, feriam meus ouvidos, aceleravam meus batimentos, embaçavam a minha vista. Não via para onde exatamente eu corria, e vez em quando me batia com alguma placa de "Pare" ou "Mão Dulpa" ou mesmo "Proibido Estacionar". Imaginava, de modo vago, aquela rua num congestionamento enorme e, distraindo-me, deixei o resto de fumo cair, o desejo de não ter permitido tal desenlance me fez virar a cabeça para o movimento do cigarro descendo e - de repente - sendo puxado para cima pelo vento, assustado também eu enrolei os pés e fui ao chão.&lt;br /&gt;Quando bati a bunda no chão, senti pequenas gotículas molhando meus cabelos. Chovia ardentemente. O frio arranhava os ossos. E eu, sentado, pensava que com um cigarro estaria melhor. Não quis acender outro porque provavelmente a chuva apaga-lo-ia. Levantei-me irritado com a possibilidade de não poder fumar e por não entender aquilo tudo que estava se passando. Acendi, enfim, um cigarro e fumei até o fim, andando sobre a chuva sem direção exata. Ainda via resquícios do caos gerado, só havia restado da cidade as construções mais frágeis em termos de estrutura física e financeira, mas preponderantes quando sua função era servir de variadas formas. Andando passei por um prédio que correspondia a uma instituição de educação federal nomeada CEFET, projetada por Oscar Niemeyer e inaugurada, segundo placa em destaque, em 1956; algo também como umas bibliotecas e um espaço entitulado Artesanato dos Guerreiros. Em certa direção, quando enfim os prédios já não me ocupavam a vista, via coqueiros. Andei em diração a eles, já processando tudo que havia passado. &lt;br /&gt;Chegando, enfim, a uma conclusão e perto dos coqueiros, o inesperado toma forma: um corpo de mulher se desenha no espaço. Paulatinamente, delicada e precisamente surgia uma mulher de aspecto agradabilíssimo não sendo essa, entretanto, sua maior qualidade. Todo a experiência tátil e perceptiva atravessada por mim há momentos atrás se encontrava nos olhos dela, dançavam no seu cristalino. Estava, porém, domada por um formato que lembrava bonecas de porcelana, cílios de Emília. &lt;br /&gt;Está portanto provado, pela descrição do nascimento de uma mulher a partir das costelas retiradas de um homem que, como disse Morin, toda forma de organização, de beleza e arte se originam a partir do caos. Nesse momento, abri os olhos e as buzinas gritavam na janela do me quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/-7Kre1HoPZ34/TlZur3DFIHI/AAAAAAAAAOQ/3lLUvQCU6Tw/s1600/279485_178516102214078_100001670684045_406214_6190967_o.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 56px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-7Kre1HoPZ34/TlZur3DFIHI/AAAAAAAAAOQ/3lLUvQCU6Tw/s320/279485_178516102214078_100001670684045_406214_6190967_o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5644820882745794674" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-7821126960984082664?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/7821126960984082664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/7821126960984082664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2011/08/cronica-sobre-o-caos-e-beleza.html' title='Crônica sobre o caos e a beleza.'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-7Kre1HoPZ34/TlZur3DFIHI/AAAAAAAAAOQ/3lLUvQCU6Tw/s72-c/279485_178516102214078_100001670684045_406214_6190967_o.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-8147970934849298354</id><published>2010-01-27T10:53:00.000-08:00</published><updated>2010-01-27T10:55:52.229-08:00</updated><title type='text'>Tudo bom?</title><content type='html'>- Oi! E aí, como que você tá?&lt;br /&gt;- Ei! Ah, eu tô normal, e você? Tá bem?&lt;br /&gt;- Sei não, tem um tempo que eu não sei dizer se estou bem.&lt;br /&gt;- Sério? O que aconteceu?&lt;br /&gt;- Ah, não sei bem. Parece que tá faltando algo sempre, sabe?&lt;br /&gt;- Ah, sei, sinto isso também.&lt;br /&gt;- É... E o seu pai, como tá? Aquela sua amiga, Carolina, né? Sua mãe, seu avô, tempão que a gente não se fala.&lt;br /&gt;- Meu avô morreu, foi horrível, mas já tem um tempo, eu já tô tranquila, apesar de sentir falta dele. Minha mãe tá bem, tá bebendo menos e ela e meu pai pararam de brigar finalmente. E meu pai ainda tá com aquela namorada, tá indo bem nos negócios dele e tá bem. E a sua mãe? Ainda tá como era antes? Às vezes eu lembro dela e rio sozinha, ela era foda. Sua irmã tá bem também?&lt;br /&gt; - Nossa, eu lembro de um tempo que seu avô tava mal, ele chegou a ser hospitalizado, não é? Mas isso dos seus pais me deixa alegre. Quando eles brigaram você ficava muito mal, né? Nunca esqueço essas coisas. Minha mãe tá lá, na mesma alegria de sempre. E às vezes parece que eu ainda tenho dezoito anos e moro na casa dela porque ela não me deixa em paz, haha. Minha irmã... ah, você lembra que ela fez Oceanografia, né? Pois ela seguiu no curso e trabalha na Petrobrás, mas acho que tá com uns problemas de casamento, ando meio procupado.&lt;br /&gt;- Você sempre teve uma boa memória mesmo. Mas problemas de casamento? É coisa séria?&lt;br /&gt;- Não sei bem. A Laura tem a cabeça boa, deve saber lidar com isso... E você não me falou sobre a Caroline.&lt;br /&gt;- Ah, meu, sou lerda, você sabe. É, eu nunca mais a vi. A gente era tão amiga, né? Agora a gente se fala bem raramente. Acho que mudei mesmo de ares humanos. E aquele seu amigo que você me falava sobre ele às vezes, o branco, haha, vocês ainda são amigos?&lt;br /&gt;- Haha, o  branco, velho! Cara, depois que eu me mudei pra cá ele veio também e a gente ficou bem próximo, mas no fim acabou se afastando de novo. Sinto saudades dele. De todos os meus antigos amigos, na verdade. Às vezes me parece que meus amigos tinham mais cor antes.&lt;br /&gt;- Sabe que eu sinto isso às vezes? A Caroline me faz tanta falta cantando Jota Quest de madrugada na minha janela! Os amigos que eu tenho hoje são maravilhosos, mas parece mesmo que os antigos eram mais... mais vida, sabe? Ou talvez não tanto, mas é como se as coisas fossem mais divertidas, como se algo estivesse ficado esquecido num fundo de armário.&lt;br /&gt;- Quem sabe um dia os escafandristas não o acham? Mas é exatamente o que eu acho. Às vezes eu acho que eu estou ficando velho, velho com trinta anos, solteiro, sem filhos nem netos. Esse sentimento de nostalgia dá essa impressão, não é? Às vezes eu tenho medo de minha casa se tornar um personagem dos meus romances, como uma casa de pessoas que deixaram uma chance para trás e viveram a vida sem toda a intensidade por causa dessa chance. Uma casa daquelas cheias de fotografias coloridas no tempos em que ainda era possível e outras descoloridas pela fumaça do tempo, algo meio sem esperança, sabe? Uma casa daquelas com pouca música, daquelas que vivem com as cortinas fechadas. Essas casas que não sabem que a bagunça que o vento causa é compensada pela luz que entra fazendo desenhos no chão da sala, aqueles desenhos que lembram poemas do Quintana, que lembram pontos de luz flutuantes dançando pela atmosfera... Às vezes até abro a cortina da casa, sabe? Mas faltam os pontos de luz, ou falta a dança. Também pode ser que falte música. Quer dizer, eu falo música, música mesmo, sabe? Porque música lá em casa – você deve imaginar – nunca falta. Mas parece que falta vida na música, ou a vida da música, ou uma música para a vida. Talvez esses vestígios de outro tempo sirvam para que sábios, um dia, decifrem o eco de antigas palavras e fragmentos de cartas, poemas. Às vezes parece mesmo que a vida seguia em um ritmo de inércia e que depois foi, enfim, vencida pelas Leis, e a fumaça do tempo poluiu um possível futuro sonhado. Eu falo demais, né?&lt;br /&gt;- Fala, e eu acho isso fofo. Fico meio imaginando como essas coisas aparecem na sua cabeça.&lt;br /&gt;- Haha, mas eu tenho medo de não deixar você falar, eu me passo pensando assim.&lt;br /&gt;- Ah, relaxa, já disse que eu acho fofo.&lt;br /&gt;- Haha, tá. E você tá namorando, tá casada, tem filhos?&lt;br /&gt;- Tô meio enrolada com alguém, mas eu não quero falar sobre isso. E você?&lt;br /&gt;- Andei me enrolando também, mas fica tudo sempre morno. Talvez falte música. Tô solteiro agora.&lt;br /&gt;- Hum, sei...&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;- Que coisa!&lt;br /&gt;- Que foi?&lt;br /&gt;- Nada, só queria te encher mesmo. Me dá um cigarro?&lt;br /&gt;- Haha, você nunca vai deixar de ser monga assim. Quer o isqueiro também?&lt;br /&gt;- Não, eu tenho aqui. Você nunca vai deixar de me chamar assim.&lt;br /&gt;- Tem algumas coisas que por mais que a gente queira, tente e tal, nunca mudam, né?&lt;br /&gt;- E tem outras que mudam tanto...&lt;br /&gt;- Você lembra daquele dia...&lt;br /&gt;- Que dia?&lt;br /&gt;- Ah, deixa, você não deve lembrar. &lt;br /&gt;- Ah, vai, fala!&lt;br /&gt;- Não, não, deixa pra lá, vai.&lt;br /&gt;- Você sabe que eu não consigo, diz logo. Anda.&lt;br /&gt;- Haha, mimada...&lt;br /&gt;- Mimada é seu passado.&lt;br /&gt;- São a mesma coisa.&lt;br /&gt;- Não muda de assunto. Conta o que você ia contar? Por favor?&lt;br /&gt;- Você lembra da promessa?&lt;br /&gt;- Promessa? Mas que promessa?&lt;br /&gt;- Por que você desviou os olhos dos meus? Você lembra qual é a promessa.&lt;br /&gt;- Você acha que eu conseguiria esquecer?&lt;br /&gt;- Eu realmente não sei, certas coisas mudam.&lt;br /&gt;- E tem certas coisas que por mais que a gente queira, tente e tal, nunca mudam, né?&lt;br /&gt;- Você havia dito que sim, que seria minha pra sempre. Será que essas chances ficam perdidas pra sempre? Será mesmo que essas coisas só existem na cabeça de jovens? &lt;br /&gt;- Não sei. A gente era mesmo muito novo... A cabeça da gente muda tanto...&lt;br /&gt;- Será que é melhor ser muito jovem ou muito velho? E o quão jovem se pode ser depois de ter-se tornado velho antes do tempo? Até onde, no passado, nossa mão ainda alcança pra que a gente possa puxar esse tecido colorido que a gente quer tanto usar? Não, não, antes: será mesmo que ficou no passado?&lt;br /&gt;- Onde fica a linha que separa a juventude da senilidade? O passado do presente? Quer dizer, o quão presente está o passado nas nossas memórias?&lt;br /&gt;- Onde fica a linha que separa o possível do impossível, estando o possível e o impossível no nosso peito?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-8147970934849298354?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8147970934849298354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8147970934849298354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2010/01/tudo-bom.html' title='Tudo bom?'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-2043068716425010524</id><published>2009-12-31T21:04:00.000-08:00</published><updated>2009-12-31T21:05:38.519-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Pra aprender a dar valor à vida.</title><content type='html'>Quando eu acordei, naquele dia frio, não fui sensível aos sinais da natureza que me indicavam que, talvez, e só talvez, eu não devesse sair de casa naquele dia. Quando levantei e pisei no meu cachorro que dormia ao pé da cama, também não percebi que meu cachorro, ao deitar-se ali, também me dizia que esse não era o dia de levantar da cama. Também nem dei atenção à mordida insólita dele nos meus calcanhares, rumei para o banheiro.&lt;br /&gt;Meu banheiro também me dava sinais. Não bastasse a escorregada no pano de chão, o resistor havia queimado e minha escova de detes caiu na privada; e eu nem sonhava que algo de ruim estava acontecendo, vesti a roupa – uma meia de cada pé – e direcionei meus passos para a cozinha. Cortei meu dedo, uma fatia de pão caiu com a margarina voltada pro chão – sorte do meu cachorro -, o café queimou na língua, o açucar havia acabado, o cachorro comeu meu presunto. Eu comecei a senir raiva do cachorro. Ir no presunto é vacilo.&lt;br /&gt;Quando olhei o relógio pra sair de casa – se escovar os dentes -, eu estava quarenta minutos atrasado. Corri pro carro e acelerei para a loja. Sem lembrar de colocar o desodorante. Peguei um trânsito habitual na Nações Unidas e cheguei na loja com quase duas horas de atraso. Mas cheguei, né? E daí que eu deveria ter sido o primeiro a chegar pra abrir a loja? Custa nada esperar um poquinho. E era sábado, o shopping nem tava assim, tão movientado porque não era Natal.&lt;br /&gt;Na aflição, quebrei a chave da loja no cadeado e tive que ir correndo atrás de um chaveiro e abri a loja, enfim, ao meio dia. Comecei a pensar que esse era um dia de sorte quando um pivete entrou na loja e roubou um dos nossos produtos mais caros, e quando ele ia saindo correndo do shopping, o guarda apanhou ele e eu nem precisei correr muito. Quando uma cliente gorda e perua entrou aos berros na loja pedindo um produto que nós nunca havíamos vendido, eu achei que era um dia comum, afinal. Só me senti encabulado porque uma mulher linda entrou na loja e, quando eu fui antendê-la, ela disse que a loja estava com cheiro de cecê. Mas deixei passar, tinha minha namorada que não ligava pra cheiro de cecê. Claro, não sem antes dar meu cartão a ela com um sorriso maroto. Sorriso esse percebido pela minha cunhada que trabalhava na loja, e que imediatamente ligou para a irmã, que me ligou terminado o namoro, afirmando que essa já não era a primeira vez e que eu tinha uns defeitos sérios que ela não tinha coragem de dizer. Tudo bem, eu já queria terminar mesmo. Fingi que ia ao banheiro e sentei na privada para ficar jogando no celular. Passar o tempo para que as pessoas não percebessem o meu cheiro. Quando entrei na cabine da privada e sentei na dita cuja, senti um cheiro de merda. Devia ser algum mal-educado que não deu descarga. Tentei fazer isso eu mesmo, mas a água não descia e eu ia trocar de cabine quando eu ouvi a voz do dono da loja entrando no banheiro. Sentei imediatamente na mesma e liguei o celular. Fez um barulho enorme, mas tudo bem, acontece. Só que ele estava sem bateria e fez outro barulho enorme desligando automaticamente. Foi a campanhia que meu chefe precisava para escancarar a porta da cabine e dizer:&lt;br /&gt;- Olha só, você vai receber um aumento!&lt;br /&gt;Ok, mentira, ele disse:&lt;br /&gt;- Infelizmete seu comportamento não condiz mais com as normas de conduta dessa empresa.&lt;br /&gt;Não, aí eu fiquei puto, aí foi que eu comecei a ver que eu não devia ter levantado da cama. Saí do banheiro a passos largos e inclusive caí da escada rolante e rolei até em baixo. Em baixo, diga-se de passagem é onde fica a praça de alimentação. Uma da tarde na zona sul de São Paulo. Beleza, mano. Fui pro estacionamento com tanta raiva que não esperei os vidros  da porta automática brirem e tombei com o nariz.Tudo bem, o que eu precisava era voltar pra casa, mesmo. Entrei no carro e fui saindo do estacionamento quando um playboy veio voando pelo cruzamento com um pitbull na janela do Pegout 307 e bateu com o carro no meu. Não sobrou nem o pó da bacteria do motor pra contar história. Mas beleza, o carro tava no seguro. Resolvi tudo com o playboy e fui pra casa de metrô. O único proleminha é que a estação de metrô mais perto da minha casa, ficava a dois quilômetros de distância da minha casa. Morar na zona leste não é pra qualquer um, parceiro. Consegui chegar em casa só por volta das 21h e corri para a estante da sala conferir os papéis do seguro. Era pra eu ter pagado mês passado. Ótimo, perdi o carro. Falta perder a casa e a vida agora. Quando eu decidi que a única coisa que me restava fazera essa hora era voltar pro lugar de onde eu nunca deveria ter saído, tive uma surpresa. Quando abri a porta do quarto, havia uma geladeira sobre minha cama e um buraco enorme no teto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-2043068716425010524?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/2043068716425010524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/2043068716425010524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/12/pra-aprender-dar-valor-vida.html' title='Pra aprender a dar valor à vida.'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-3157458055851812815</id><published>2009-12-19T06:31:00.000-08:00</published><updated>2009-12-20T06:18:21.620-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Futuros amantes, quiçá, se amarão.</title><content type='html'>Era um dia totalmente atípico. Andei pelas ruas da capital baiana e não precisei tapar os ouvidos ou blasfemar mentalmente contra a música ruim que em dias normais paira sobre a cidade. No primeiro apartamento, onde a música se ouvia de fora, tocava um jazz, não sei dizer exatamente quem, mas era do bom, algo da década de 60. Algumas esquinas mais tarde, passou um carro com um som altíssimo, e, pasmem: não era Asa de Águia, era Schubert. Sem falar na moleca de três anos que passou por mim cantarolando Garota de Ipanema com uma afinação que deixaria André Lelis envergonhado.&lt;br /&gt;Mas nada conseguiria melhorar meu dia, o cigarro havia acabado e eu prometi não comprar outro, o pó de café especial venezuelano estava no fim e em Salvador não se acha desse, e além disso, ansiedade para saber a resposta do emprego fazia meu sangue pulsar com medo. E, te digo isso se você prometer não contar a ninguém: isso era o que eu dizia pros outros, porque no fundo eu já havia passado por isso e, graças a eu pensar sempre com enorme negligência da vida – principalmente da profissional -, nada disso seria capaz de me afetar. Mas, na atual condição, tudo isso me aparece como tomates jogados no palco onde eu encenei minha peça; e minha peça era o que me envergonhava, os tomates só serviam como porradas numa têmpora já entorpecida. Durante todo o espetáculo, encenei de joelhos, me sentindo como o crânio de Hamlet e respondendo a ele: “Não seja, quando ela pedir; seja, quando ela precisar”. Hamlet era minha consciência, e minha consciência dizia coisas que meus amigos repetiam. Eu sabia, sabia tudo, que não era daquele jeito, que eu não devia ter me entregado tanto, que faltou ponderar, faltou pôr os pés no chão. Sempre falta a mim botar os pés no chão. &lt;br /&gt;Mas não quero pensar sobre isso, deixa eu dobrar essa esquina e observar o movimento da rua, preciso tirar minha cabeça disso. Entrei pela rua Amazonas e dei a observar os pedestres que passavam, e de fato veio algo que chamou minha atenção: uma moça de pele branca, bochechas salientes, cabelos castanhos, nem cacheados demais, nem lisos demais – ondulados na medida exata para adornar-lhe o rosto -, e olhos indescritíveis. Não se acha, nesse mundo, olhos como aqueles, à oriente, num perfil tão europeu e num corpo tão brasileiro, com braços tão lindos que imaginei ali um ninho, tão lindos que eu quase pude sentir o abraço deles. Olhei-a tanto que ela deve ter ficado com medo, atravessou a rua e entrou num fast-food. Fiquei meio sem jeito, eu devia ter disfarçado, ou qualquer coisa, pra tentar puxar um papo inocente, mas era aquela história dos tomates – a história, não os tomates – que me faziam perder a noção das coisas. Porra, é realmente mais fácil ler sobre do que passar por essas decepções amorosas de cabeça erguida. Que cabeça, que cabeça? Cabeça eu nunca tive, se tivesse, não estaria nessa situação se tivesse... Puta que pariu!, meti o pé na água. Porra, vai tomar no cu, cidade mal organizada, infra-estrutura do inferno! Por que essa desgraça tinha que ‘tá aqui? Agora eu quero ver o fedor que meu tênis vai ficar, merda. Vai ficar fedendo igual a carniça que eu guardo no mediastino depois que eu... Porra, e eu já volto a lembrar disso. Agora a porra da poça são os sonhos, meteram um pé bem grande e espalharam tudo. Viraram gotinhas no asfalto quente, evaporando, fazendo o concreto se contrair, abrindo buracos na estrada, abrindo buracos da estrada, a calefação das esperanças, contração do contreto, rigidez, austeridade, estrada, concreto, onde minhas pernas teimavam em seguir...&lt;br /&gt;Peguei o celular, mandei uma mensagem pra gorda. “Tá tudo virando concreto, e tá contraíndo”. A resposta veio de imediato: “Aperta no vermelho, onde diz: ‘Foda-se’”. Filosofia da Mariana. E ela nunca pensava muito pra dizer essas coisas, acho incrível. Deu certo no exame da auto-escola dela, quem sabe dá certo pra minha vida. Olhei pro tênis e disse pra ele, olhando nos olhos: &lt;br /&gt;- Foda-se.&lt;br /&gt;Não tive o resultado necessário. Entrei no mercado, com tênis molhado, comprei um maço de Marlboro e me arrependi assim que saí do mercado, mas eu já tinha comprado, né? É. Subi as escadas, fiz um café com o resto de pó que sobrava e sentei na varanda pra ler. Não sei ler o quê, peguei o primeiro livro que vi e levei pra varanda, coloquei-o na cadeira ao lado da poltrona e puxei o primeiro cigarro, acendi e levei-o a boca. Fumando e imaginando o que passaria na cabeça das pessoas que transitavam na rua lá em baixo, sem perceber, quase queimei os lábios. Imaginei que o cigarro se parecia com o amor. A gente vai fumando o amor sem perceber, se dando completamente a ele, até que ele nos assusta queimando nossa boca. Ou nos mata com um câncer no peito.&lt;br /&gt;Olhei a guimba do cigarro e refleti sobre a vida – ou a morte, como queira chamar. Pensei que cigarro era algo muito bom e que era errado as pessoas condenarem porque me tira, sei lá, dez anos de vida? E quem merece uma vida não vivida? Achei que isso era pensamento de fumante e que o cigarro já corroia meu cérebro. Achei também que o mesmo princípio se aplica ao amor, e achei que isso era pensamento de ser vivo e que o amor corroia meu cérebro. &lt;br /&gt;Baixem as cortinas e passem alcool no piso. Podem comprar qualquer pó arábico que houver no mercado. Andem, mais álcool no piso, tirem os tomates. Enxaguem tudo com substâncias com quarenta por cento de teor alcoolico. E me tragam mais cigarros joguem o resto ainda aceso sobre esse palco e comemoremos, a vida merece outra peça, a vida merece outro palco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-3157458055851812815?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/3157458055851812815'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/3157458055851812815'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/12/futuros-amantes-quica-se-amarao.html' title='Futuros amantes, quiçá, se amarão.'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-8634403395208713893</id><published>2009-10-07T17:25:00.000-07:00</published><updated>2009-10-07T17:58:25.828-07:00</updated><title type='text'>Uma mulher chamada guitarra</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_mz0KNsQyObc/Ss05Aumgk9I/AAAAAAAAABY/dOGgB8ZtXvY/s1600-h/Andr%C3%A9s-Segovia-Gold-Collection.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 248px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_mz0KNsQyObc/Ss05Aumgk9I/AAAAAAAAABY/dOGgB8ZtXvY/s320/Andr%C3%A9s-Segovia-Gold-Collection.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390027013704684498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                                                                                                            &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Andres Segovia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, casualmente, eu disse a um amigo que a guitarra, ou violão, era “a música em forma de mulher”. A frase o encantou e ele a andou espalhando como se ela constituísse o que os franceses chamam um mot d’espirit. Pesa-me ponderar que ela não quer ser nada disso; é, melhor, a pura verdade dos fatos.&lt;br /&gt;O violão é não só a música (com todas as suas possibilidades orquestrais latentes) em forma de mulher, como, de todos os instrumentos musicais se inspiram na forma feminina – viola, violino, bandolim, violoncelo, contrabaixo – o único que representa a mulher ideal: nem grande, nem pequena; de pescoço alongado, ombros redondos e suaves, cintura fina e ancas plenas; cultivada mas sem jactância; relutante em exibir-se, a não ser pela mão daquele a quem ama; atenta e obediente ao seu amado, mas sem perda de caráter e dignidade; e, na intimidade terna, sábia e apaixonada. Há mulheres-violino, mulheres-violoncelo e até mulheres-contrabaixo.&lt;br /&gt;Mas como recusam-se a estabelecer aquela íntima relação que o violão oferece; como negam-se a se deixar cantar, preferindo tornar-se objeto de solos ou partes orquestrais; como respondem mal ao contato dos dedos para se deixar vibrar, em benefício de agentes excitantes como arcos e palhetas, serão sempre preteridas, no final, pelas mulheres-violão, que um homem pode, sempre que quer, ter carinhosamente em seus braços e com ela passar horas de maravilhoso isolamento, sem necessidade, seja de tê-la em posições pouco cristãs, como acontece com os violoncelos, seja de estar obrigatoriamente de pé diante delas, como se dá com os contrabaixos.&lt;br /&gt;Mesmo uma mulher-bandolim (vale dizer: um bandolim), se não encontrar um Jacob pela frente, está roubada. Sua voz é por demais estrídula para que se suporte além de meia hora. E é nisso que a guitarra, ou violão (vale dizer: mulher-violão), leva todas as vantagens. Nas mãos de um Segovia, de um Barrios, de um Sanz de la Mazza, de um Bonfá, de um Baden Powell, pode brilhar tão bem em sociedade quanto um violino nas mãos de um Oistrakh ou um violoncelo nas mãos de um Casals. Enquanto que aqueles instrumentos dificilmente poderão atingir a pungência ou a bossa peculiar que um violão pode ter, quer tocado canhestramente por um Jayme Ovalle ou um Manuel Bandeira, quer “passado na cara” por um João Gilberto ou mesmo o crioulo Zé-com-Fome, da Favela do Esqueleto.&lt;br /&gt;Divino, delicioso instrumento que se casa tão bem com o amor e tudo o que, nos instantes mais belos da natureza, induz ao maravilhoso abandono! E não é à toa que um dos meus mais antigos descendentes chama viola d’amore, como pronunciar o doce fenômeno de tantos corações diariamente feridos pelo melodioso acento de suas cordas... Até na maneira de ser tocado – contra o peito – lembra a mulher que se aninha nos braços do seu amado e, sem dizer-lhe nada, parece suplicar com beijos e carinhos que ele a tome toda, faça vibrar no mais fundo de si mesma, e a ame acima de tudo, pois do contrário ela não poderá ser nunca totalmente sua.&lt;br /&gt;Ponha-se no céu alto uma Lua tranqüila. Pede ela um contrabaixo? Nunca! Um violoncelo? Talvez, mas só se por trás dele houvesse um Casals. Um bandolim? Nem por sombra! Um bandolim com seu tremolos, lhe perturbaria o luminoso êxtase. E o que pede então (direis) uma Lua tranqüila num céu alto? E eu vos responderei; um violão. Pois dentre os instrumentos musicais criados pela mão do homem só o violão é capaz de ouvir e entender a Lua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;MORAES, Vinicius, Vinicius de Moraes: Poesia e Prosa completa, Volume único. Ed. Nova Aguilar, 1987. p.511-512&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;/span&gt;&lt;span&gt;Que  fique registrado que esse blog está em período de abstinência, e que eu só tive o trabalho de postar isso aqui porque a Aava pediu, e tal. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-8634403395208713893?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8634403395208713893'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8634403395208713893'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/10/uma-mulher-chamada-guitarra.html' title='Uma mulher chamada guitarra'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_mz0KNsQyObc/Ss05Aumgk9I/AAAAAAAAABY/dOGgB8ZtXvY/s72-c/Andr%C3%A9s-Segovia-Gold-Collection.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-7488948178765025524</id><published>2009-08-19T06:26:00.000-07:00</published><updated>2009-08-19T11:23:47.227-07:00</updated><title type='text'>Buemba, buemba!</title><content type='html'>Eu não sei quem de vocês conhece o José Simão. Eu o conheci involuntariamente ano passado ligando o rádio sem nada para fazer pela manhã e me deparei com os comentário de um dos jornalistas mais inteligentes e escrotos desse país tão pobre de jornalistas. Esse vídeo, por ter a ver com o penúltimo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;post&lt;/span&gt; é bem oportuno de ser publicado aqui, comecem a assistir que eu acho que, se você não o conhece,  dificilmente você não o admirará também. Caso queira acompanhar o jornalismo crítico e humorado dele, publico também o seu blog: http://www2.uol.com.br/josesimao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tem um defeito, de acordo com os paradigmas universais do jornalismo - que para mim não é defeito - mas enfim: ele é parcial. Ele é escroto. Ele está contra todo mundo. Até porque, no Brasil, o que é certo para ser elogiado? Como ele mesmo diz: "No Brasil, nem a esquerda é direita". Enfim, eu o admiro muito e considero o comentário dele indispensável, não se limite a esse vídeo, que é mais humorístico que qualquer coisa, mas grande parte da inteligência dele está nessa ironia e no esporádico sarcarsmo dele, invariavelmente marcando todas os principais acontecimentos do país. Resumo o vídeo na seguinte frase, sobre o Edir Macedo: "Pra quê esperar o reino dos céus se a suíte presidencial do Sherrington&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;é muito melhor?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-fa214e00d3fb5597" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v19.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dfa214e00d3fb5597%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330409003%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D281A4ADE3FE8948E8A8EAAD34F58E1855A02B109.22D088E9A4C5971DDCA64499750DA9B68A437953%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dfa214e00d3fb5597%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dv05LGvz11rHiedX6NnPto31NHsc&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v19.nonxt2.googlevideo.com/videoplayback?id%3Dfa214e00d3fb5597%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1330409003%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D281A4ADE3FE8948E8A8EAAD34F58E1855A02B109.22D088E9A4C5971DDCA64499750DA9B68A437953%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3Dfa214e00d3fb5597%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3Dv05LGvz11rHiedX6NnPto31NHsc&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-7488948178765025524?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=fa214e00d3fb5597&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/7488948178765025524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/7488948178765025524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/08/buemba-buemba.html' title='Buemba, buemba!'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-8026889127034664070</id><published>2009-08-15T16:33:00.000-07:00</published><updated>2009-08-16T13:47:10.298-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios críticos'/><title type='text'>A delicadeza discreta dessas meninas</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_C-w6jFNATis/SodRd9jJuqI/AAAAAAAAABI/tgjTvnyqtVA/s1600-h/AvrilLavigne_01e.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 160px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_C-w6jFNATis/SodRd9jJuqI/AAAAAAAAABI/tgjTvnyqtVA/s320/AvrilLavigne_01e.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5370350655842663074" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;                                                                                          &lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;He was a punk, she did ballet!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;                                            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A música dos anos 70, e 80, em particular o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Punk&lt;/span&gt; Rock, foi de singular importância para o contexto da música mundial como um todo, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;revolucionando&lt;/span&gt; tudo. Dispensamos o lançamento de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Sgt&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Peppers&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;Lonely&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Heart&lt;/span&gt;'s &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Club&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Band&lt;/span&gt;, clássico dos Beatles que chegou ao Brasil influenciando a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Tropicália&lt;/span&gt; em 1967 para anunciar que em 1976 o grupo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;Ramones&lt;/span&gt; lançaria seu primeiro LP, o "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Ramones&lt;/span&gt;", com 14 faixas, incríveis 29 minutos e quatro acordes. Ok, cinco. As letras anti-conteúdo, que criticavam a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;pseudo&lt;/span&gt;-intelectualidade abriram um contra-ponto às filosofias &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;hippies&lt;/span&gt; de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;transcendentalismo&lt;/span&gt; e colocavam abaixo toda a valorização cultural até hoje adquirida.&lt;br /&gt;Como se não bastasse, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Ramones&lt;/span&gt;, com suas guitarras desafinadas e seu limitado conhecimento - diga-se de passagem que eles conhecia só, e somente só, os acordes maiores - abriram espaço para que diversos de adolescentes que acabaram de ganhar uma guitarra formassem banda e fizessem sucesso.  Não seria exagero, partindo dessa sucessão de acontecimentos, dizer que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Dee&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;Dee&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Ramone&lt;/span&gt; foi um novo Beethoven, com a reinvenção de formas de utilizar os campos harmônicos. Como exemplo, cita-se o movimento seguinte ao &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Punk&lt;/span&gt;, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Hardcore&lt;/span&gt;, e os movimentos derivados do punk, o Ska, o pop punk (irônica contradição; ou não?), o Oi! entre outros.&lt;br /&gt;Não se pode, além disso tudo, deixar de lado a incrível capacidade anti-poética das letras amplamente vistas como exemplos de revolução e da onde tiramos máximas como "hey, oh, let's go!" e a complexidade melódica, que chegou a influenciar mais tarde gente como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Ernie&lt;/span&gt; Watts, os próprios &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Brecker&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Brothers&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Yann&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Tiersen&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Philip&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Glass&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Miles&lt;/span&gt; Davis e inclusive &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Hermeto&lt;/span&gt; Pascoal. Há especulações sobre o fato de John Coltrane se sentir mal em função dos seus acordes, quando comparado com Johnny Ramone e ter pensado em parar de fazer música.&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Mas, lógico, falar sobre &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Ramones&lt;/span&gt; sem aprofundar em toda a sua filosofia, não seria falar de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;Ramones&lt;/span&gt;. Iniciados por uma onda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;underground&lt;/span&gt; que lotava bares e casas de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;show&lt;/span&gt; desconhecidas, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;Ramones&lt;/span&gt; começaram a adquirir adeptos. Eram talvez uma nova versão dos rebeldes sem causa, mas dessa vez com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;moicanos&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;maquiagens&lt;/span&gt;, roupas pretas e coleiras. Eram adolescentes que não se encaixavam no mundo, mas se encaixavam no banco da praça e nos cantos das cidades onde muitos foram dormir após brigas com os pais. Como não tinham dinheiro para &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;assistir&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;shows&lt;/span&gt; do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;Cream&lt;/span&gt;, ou do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;AC&lt;/span&gt;/&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;DC&lt;/span&gt;, a fuga eram os bares &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;incógnitos&lt;/span&gt;. Mas o que importa dizer aqui é que o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;underground&lt;/span&gt; virou moda. Levados pelo ideal anarquista de desordem, eles quebravam lojas e ruas, sem saber o porquê. Exemplo disso é o termo "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;punk&lt;/span&gt;" ter inicialmente uma conotação de "vagabundo" ou "revoltado". Como &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;adendo&lt;/span&gt;, acrescento o seu desleixo pela higiene (provável herança &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;hippie&lt;/span&gt;).  Possuem um visual anti-tradicional e contra-cultural, utilizavam gel, ovo, sabão em pó, maisena e violeta &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;gensiana&lt;/span&gt; no cabelo para obter ousados efeitos especiais. Nota-se aí uma incrível sensibilidade, que Freud ligaria à não aderência social e à falta de atençaõ de papai e mamãe. Mas não abram a boca, eles são punks e te comem no tanque, como diz o ditado. Por outro lado, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"&lt;/span&gt;who the hell is this Freud?&lt;/span&gt;" É &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;interessantíssimo&lt;/span&gt; observar que o anti-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;pop&lt;/span&gt; se tornou comum. Como sempre aconteceu, a onda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;underground&lt;/span&gt; reagiu à onda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;pop&lt;/span&gt; que surgia e os então "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;punks&lt;/span&gt;" criticavam violentamente  o mundo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;pop&lt;/span&gt;. Todavia, à primeira oferta da Universal &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_54"&gt;Records&lt;/span&gt;, principal gravadora da época, (um contrato milionário, diga-se de passagem) os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_55"&gt;Ramones&lt;/span&gt; esqueceram isso. O contrato dava dinheiro, daria a eles fama. Por que não? Bem, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_56"&gt;punks&lt;/span&gt; não precisam se revoltar contra isso, veja só... Tem de se olhar os dois lados da coisa... Por um lado se traia o movimento &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_57"&gt;punk&lt;/span&gt; em sua origem. Não, naõ é traição, é transformação! O punk precisa mudar! Ou nós precisamos de um iate e do conforto que vocês não têm? Enfim, assinei e assinei por muito tempo e fodeu. Vocês que são punks que continuem pobres, eu vou beber uísque 12 anos e comer caviar.&lt;br /&gt;Claro, os &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_58"&gt;Ramones&lt;/span&gt; não foram a única banda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_59"&gt;punk&lt;/span&gt;, não esqueçamos do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_60"&gt;The&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_61"&gt;Police&lt;/span&gt;, influenciado também pelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_62"&gt;punk&lt;/span&gt; que foi importantíssimo como criador de uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_63"&gt;indumentária&lt;/span&gt;; o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_64"&gt;Sex&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_65"&gt;Pistols&lt;/span&gt; (vibradores, em português), a pior banda da história inglesa, digo, a mais importante banda &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_66"&gt;punk&lt;/span&gt; da história inglesa.&lt;br /&gt;O movimento &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_67"&gt;punk&lt;/span&gt; deixa até hoje suas prolíferas sementes, produzindo e influenciando artistas indubitavelmente importantes para a música &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_68"&gt;contemporânea&lt;/span&gt;, dentre eles &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_69"&gt;Simple&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_70"&gt;Plan&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_71"&gt;The&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_72"&gt;Used&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_73"&gt;Nx&lt;/span&gt; Zero, João Gordo, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_74"&gt;Frexno&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_75"&gt;desculpem-me, Fresno, Avril&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_76"&gt;Lavigne&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_77"&gt;My&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_78"&gt;Chemical&lt;/span&gt; Romance e Angélica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_C-w6jFNATis/SodRAFljWDI/AAAAAAAAABA/QAx1hESLgMc/s1600-h/Pernaspunk.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-8026889127034664070?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8026889127034664070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8026889127034664070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/08/musica-dos-anos-70-em-particular-o-punk.html' title='A delicadeza discreta dessas meninas'/><author><name>thisisthenewshit</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06180556347068533559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_C-w6jFNATis/See64dQcpXI/AAAAAAAAAAM/5E95-USuQeg/S220/Sem+t%C3%ADtulo2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_C-w6jFNATis/SodRd9jJuqI/AAAAAAAAABI/tgjTvnyqtVA/s72-c/AvrilLavigne_01e.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-3701203652528069576</id><published>2009-08-11T18:03:00.000-07:00</published><updated>2009-08-15T17:36:37.439-07:00</updated><title type='text'>Selo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_C-w6jFNATis/SoIVuRnZQYI/AAAAAAAAAAw/KGJGKii9K20/s1600-h/arteemanhas3.gif"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 217px; height: 275px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_C-w6jFNATis/SoIVuRnZQYI/AAAAAAAAAAw/KGJGKii9K20/s320/arteemanhas3.gif" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368877590525854082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um comentário inesperado elevou (ainda mais, haha) meu ego hoje. Tanto a ponto de eu participar dessas brincadeiras. Fui prestigiado pelo blog A Reengenharia do Pensamento (http://reengenheiro.blogspot.com/).&lt;br /&gt;Segundo as regras, eu devo indicar dez blogs à minha escolha, mas dez é muito, vou indicar só 5, mas que valem realmente a pena. E, como não há critérios, eu vou usar todos os que eu tenho, inclusive os emotivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresento-vos:&lt;br /&gt;1. http://reengenheiro.blogspot.com/&lt;br /&gt;2. http://dustten.blogspot.com/&lt;br /&gt;3. http://worldsofadaffodil.blogspot.com/&lt;br /&gt;4. http://indelicada.blogspot.com/&lt;br /&gt;                                                       5. http://nortimaginario.blogspot.com/&lt;br /&gt;                                                      &lt;br /&gt;                                                      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode dar um P.S.? Se não podia, agora já pode.&lt;br /&gt;P.S.: eu te amo, Juliana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-3701203652528069576?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/3701203652528069576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/3701203652528069576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/08/selo.html' title='Selo'/><author><name>thisisthenewshit</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06180556347068533559</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://3.bp.blogspot.com/_C-w6jFNATis/See64dQcpXI/AAAAAAAAAAM/5E95-USuQeg/S220/Sem+t%C3%ADtulo2.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_C-w6jFNATis/SoIVuRnZQYI/AAAAAAAAAAw/KGJGKii9K20/s72-c/arteemanhas3.gif' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-7595785861215650736</id><published>2009-08-04T16:12:00.000-07:00</published><updated>2009-08-04T16:38:15.369-07:00</updated><title type='text'>Übermensch?</title><content type='html'>Recentemente me deparei com uns desconhecidos super-meninos. Descobri que há protótipos de seres humanos que estão &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;imensuravelmente&lt;/span&gt; à frente dos reles &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;homo&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;sapiens&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;sapiens&lt;/span&gt; que somos nós, burgueses de classe média, média-alta e até dos medíocres ricos, milionários e dos que não podem ser classificados por não haver nomes para tamanha quantidade de dinheiro. Estão à frente biologicamente, estão à frente na não rara pureza de intenções e, em alguns casos, até em termos de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;inteligência&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São os super-meninos esses que andam, correm e voam com os olhos brilhando de uma infância que não é perdida – diferente da gordura do seu tórax, que avulta cada costela possível - pelas ruas forradas de opressão das grandes cidades. Com os pés descalços e os peitos sempre em evidência, são os meninos que fazem &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;malabares&lt;/span&gt; com mãos tão hábeis quanto às dos malabaristas de circo e são os moleques de pés tão sujos como se andassem em meio a uma selva de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;imundíssimos&lt;/span&gt; pântanos e poças cheias de pobreza e mijo, restos de esgoto, às vezes comida, às vezes restos de cigarro, às vezes até uma moeda – nesse caso, pra eles só há a moeda, e: “corre, pega!”. Moleques que cospem fogo com álcool que eles compram da caridade – a moeda divina - adquirida no semáforo, e que eles guardam um pouco para comprar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;criptonita&lt;/span&gt;. E eles brincam além disso, com o mesmo sorriso de crianças ricas e muradas dentro de castelos de prudência – convenhamos, véu do pré-conceito - que culpa têm elas de estar ali? Que culpa têm de continuar a viver naquele mesmo castelo mesmo aos 40 anos, vivendo em outros castelos físicos? Prefiro os meninos livres, livres do fardo da história e da geografia de um país caduco, às palavras de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Drummond&lt;/span&gt;, de um povo ignóbil e preguiçoso que, se sua existência dependesse da auto-afirmação, nem existiria; mas como depende do ato de pensar, continua a não existir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São nossos sobrinhos, crias dos nossos antepassados que vêm com destreza de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;atores&lt;/span&gt; – melhor que os da novela das oito, acrescento – imitarem olhares de pedido que, na verdade, deve ser uma retirada parcial da máscara de alegria que eles esquecem no rosto, posto que alegria seja pluma. Talvez por – quem sabe? – possuir uma filosofia tão avançada que chegam instintivamente à conclusão de que a vida é uma invenção: e será boa quando se quer assim, e ruim quando se quer o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E são super-meninos, além disso, pelo super-poder da invisibilidade. Não intencionalmente, mas essa é possivelmente uma vantagem evolutiva, que quando desatina os coloca à margem – ou acima, ou abaixo, que importa se só olhamos nossos narizes? – das nossas vistas e é preciso ter olhos especializados para enxergá-los à noite, deitados nas calçadas com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;confortabilíssimos&lt;/span&gt; cobertores de papelão e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;incomparáveis&lt;/span&gt; travesseiros &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;revolucionários&lt;/span&gt; de braços ossudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e depois, super-meninos? Quem são vocês? Vocês são aqueles algemados no noticiário? Vocês vieram me atender ontem no &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;barzinho&lt;/span&gt; pobre da periferia, quando eu desci &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;momentaneamente&lt;/span&gt; do meu pedestal de arrogância com sandálias &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;transparentes&lt;/span&gt; e frágeis de humildade, e onde eu me recusei a pagar a gorjeta extra pra comprar mais uma cerveja? Pergunto-me para onde vão quando os vejo brincar no semáforo em frente à minha janela; pergunto-me quem são e o que fizeram para ganhar tal benefício divino; pergunto-me também quando perderam seus super-poderes. Ganharam?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-7595785861215650736?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/7595785861215650736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/7595785861215650736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/08/ubermensch.html' title='Übermensch?'/><author><name>W.C.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15767425842193140608</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-3904221987255797389</id><published>2009-06-04T15:03:00.000-07:00</published><updated>2009-06-05T13:36:29.568-07:00</updated><title type='text'>Sonhei, tinha Chagas</title><content type='html'>Sonhei que tinha Chagas. A doença, sabe? O coração cresce, fica maior do que o peito suporta. Delirei que meu coração crescia, crescia e já não bombeava o sangue: bombardeava –o em meu tórax. Imaginei que estava tão avançado na doença que meu coração já empurrava as costelas para não ser mais protegido. Empurrava tanto que as costelas, antes escondidas pelo acúmulo de gordura estavam agora proeminentes e ansiavam sair. E esse bombardeio desse coração, que se tornou então inóspito do peito, ecoava por todos os meus nervos, subindo a coluna vertical, sacudindo as estruturas do hipocampo e da amígdala cerebral, excitando as memórias.&lt;br /&gt;Lembrei do menino que passava noites a recordar da mulher amada que ele nem sequer conhecia; que ele jamais havia visto ou ouvido falar. Não a imaginava em cabelos, rostos, pernas ou pescoços, mas em apertos de mão, cafunés, conversas, desabafos e abraços – o lado abstrato do abraço. Recordava tanto que as recordações penetravam nos seus sonhos e ele via-se lutando com moinhos-de-vento por ela, e ele avançava contra manadas de ovelhas para salvar sua honra ante as vistas dela. Recordava tanto que fazia planos de ser o melhor homem do mundo, de fazê-la a mulher mais feliz de todas, porque ele sabia que ela merecia.&lt;br /&gt;Lembrei do rapaz que certa manhã viu sua amada passar dançando pela porta da sua casa com uniforme escolar de freira. Os cortes quadrados da saia e da camisa não o permitiam ter a mínima noção de como era o seu corpo; não que ele tivesse olhado pra isso: não nesse momento. Ele estava compenetrado demais naqueles olhos musicais. Aqueles olhos que resumiam um “Four Seasons” do Vivaldi quando passam com aquela alegria imensurável. Aqueles olhos adornados pelos lisos cabelos castanhos que se jogavam e voavam pelo seu rosto, acompanhado a melodia do seu andar. E ninguém disse quem era aquela moça, ninguém falou-lhe do seu passado, da sua história, ou falou, mas isso a memória dele fez questão de esquecer, porque não é a opinião dos outros que importa quando já se nasce apaixonado por alguém. Ela era o amor da vida dele, inconstestavelmente.&lt;br /&gt;Lembrei que esse rapaz passou então a correr todos os dias para a porta sempre à hora dela passar no seu passo de dançarina. Corria de onde estivesse, corria e sentava na calçada com os joelhos juntos, o braço esquerdo com o cotovelo apoiado sobre o joelho esquerdo e segurando o queixo e o outro a coçar a nuca de ansiedade, ou posto sobre a boca quando ele achava que seu riso estava demasiado bobo. Sentava-se assim e esperava ela passar no único intuito de vê-la sorrir e ele então ganhar o dia. É, admitamos que era uma atitude egoísta, só queria vê-la feliz para fazer a si mesmo feliz. Mas se ela não sorria, ele se preocupava e, em pensamento, bolava mil perguntas, perguntadas dos jeitos mais sutis para descobrir o que havia de errado. E passava horas pensando em frases consoladoras, todas, qualquer uma que pudesse fazê-la sorrir de novo.&lt;br /&gt;Lembrei também que certo dia essa moça derrubou, ou melhor: distraidamente deixou cair o material escolar bem diante do rapaz. E o rapaz, no afã de dizer todas as frases de amor que ele havia aprendido sozinho (mas não sozinho-sozinho, porque sem ela as frases não existiriam), acabou por embolar todas na altura da língua e por não dizer nenhuma; só catou todo o material que ela propositalmente, ou melhor: acidentalmente deixou cair. Entregou-as em mãos e mal conseguiu olhar aqueles olhos que, diferente dos comuns, não perguntavam, Por que estás a me olhar?, mas sim, Quem és tu por trás destes olhos curiosos?&lt;br /&gt;Lembrei que finalmente esse rapaz e essa moça iniciaram um relacionamento. Tudo por iniciativa dela, claro. Se dependesse dele, demorariam séculos para ele adquirir a coragem de se relacionar verbalmente com ela. Visualmente era difícil, quem dirá. Encetaram um relacionamento inicialmente às escondidas. Mas aí ele se soltou. O que torna o início difícil é o medo de não ser correspondido, mas passada essa parte o rapaz virou outro rapaz. Quando ela passava em frente à sua casa, agora astutamente alguns minutos mais cedo, ele arrastava-a para dentro e intimava-a contra a parede colando seus corpos e narizes. Corpos, bruscamente; narizes, delicadamente. Lembro-me de como esse rapaz se sentia quando fazia isso: sentia-se o Deus daquele universo fascinante que é o olhar feminino. Claro, não o olhar comum, o olhar apaixonado, o olhar com malícia, o olhar com desejo, o olhar com perigo ignorado e valioso. Mulheres criam inéditos olhos quando estão apaixonadas, e mais ainda quando estão a sós e ofegantes, é quase um novo amadurecimento de personalidade que sucede nesses momentos de intimidades e que minutos depois desamadurece para o olhar apaixonado atípico comum, tornando o próximo amadurecimento inédito novamente. E eles jubilavam pouco esse momento de olhares porque estes são momentos que só funcionam enquanto breves e, portanto preciosos e eternos. Longos eram os beijos, o apertar das mãos dele na cintura dela, nas costelas dela. Longas eram as enroscadas de pernas, pernas estas que às vezes eles trocavam e, quando tudo deveria ter acabado, eles tinham que refazer para retomas suas respectivas pernas. Longas eram as cartas métricas que eles reciprocamente escreviam e que rasgavam em seguida não por desprezo, mas como forma de endeusá-las. Longos eram os fios, às vezes as correntes, que os amarravam um ao outro mesmo quando o desejo pelo vizinho gritava seus nomes ao pé do ouvido.&lt;br /&gt;Dessa lembrança pulei pr’uma lembrança de igreja. Um homem barbado de terno e gravata e uma mulher de vestido branco de cetim tomara-que-caia. Acordo, então desses sonhos e delírios e imaginações e deparo-me com a mão dela sobre meu peito - mão essa que dançava até enquanto ela dormia - e sinto meu coração aos pulos: ele não quer a proteção das minhas costelas, nem mesmo o oxigênio dos meus pulmões lhe é útil quando olhava aquelas mãos. Ele quer as carícias daquelas mãos dançantes, sem proteção, sem resguardos, se dar com toda e para toda a vida à dona daquelas mãos, mesmo que isso suscite em esporádicos apertos e beliscões nele, vá lá: minhas costelas fazem muito pior isolando-o.&lt;br /&gt;Olho pro lado e lá, jogados no chão do hotel com uma visível delicadeza violenta está um terno e um vestido de casamento branco de cetim. Ah, sim, tomara-que-caia, é claro. Só não havia véu, só não havia doença, só não havia ressentimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-3904221987255797389?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/3904221987255797389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/3904221987255797389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/06/sonhei-tinha-chagas.html' title='Sonhei, tinha Chagas'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-829548570902167238</id><published>2009-05-15T10:27:00.000-07:00</published><updated>2009-05-15T10:39:34.784-07:00</updated><title type='text'>Aliás, que água?</title><content type='html'>Foi tudo culpa daquelas esferas. Aquelas paisagens brilhantes, aquela ilusão plácida de um oceano que se prepara para o El Niño; na verdade só se transvestia num veludo que ocultava aquele veneno mortal que rompe e penetra profunda e desenfreadamente na alma de qualquer homem; que é capaz de, com seus dois centímetros de diâmetro, paralisar e colocar de joelhos um homem de dois metros.&lt;br /&gt;Eis o que tenho à minha frente: mãe, mulher de seus quase quarenta. Talvez mais nova. Não possuía ainda vestígio algum de alvura em seus cabelos, escassas rugas em seu rosto. Não, não agora. Agora sua cara de pavor exibia rugas que não poderiam ser vistas em outra situação. Seus cabelos castanhos perdiam a beleza pelo seu estado de anarquização. Ela se encontrava completamente despida, devido a provável situação em que se encontrava antes da minha entrada, exceto pela calcinha de algodão branca. Não demonstrando se importar com seu estado de nudez, ela agarrava-se à filha e grunhia qualquer coisa incompreensível sobre “Ela não!”. Ok, previsível.&lt;br /&gt;Agora, viro-me ao problema, viro-me às esferas. Viro-me ao que ainda me é oculto, mas que tornar-se-á minha perdição. Elas me olhavam com vistas inocentemente cruéis de onça que ataca quando não se vê, de medusa que paralisa o inimigo; seus olhos penetravam pelos meus, desciam pelo meu pescoço com uma ferócia ávida - havia um calor de urgência naquilo – e transbordavam como uma enorme represa de águas escuras que se rompe e inunda um lugar de tal forma que era inimaginável que tamanha quantidade de água coubesse onde ali se encontrava. Inundava todo o meu tronco: encharcava meus pulmões, e eu tinha que respirar mais rápido, cobria meu estômago, e ele dava um nó, tomava meus intestinos, que se embrulhavam, e meu coração se sentia um ponto no meio de todo o pacífico. Ao mesmo tempo, se sentia responsável por todo o futuro do mundo.&lt;br /&gt;Meu plano era entrar à beira da meia noite. Pelo silêncio que a casa sempre produzia essa hora, eu imaginei que fosse a hora ideal. Soube por encomenda que o sistema de alarme deles estava danificado e que eles não possuíam um cachorro porque sua filha era muito alérgica. Parecia a oportunidade que eu estava esperando de conseguir dinheiro e fugir para o caribe. Vigiei por uma semana e achei que estava bom. É, e estava. Às 23h já estava tudo pronto e eu estava nos últimos momentos antes de entrar na casa. A casa estava no profundo silêncio e só estavam ligadas aquelas luzes que as pessoas sempre deixam ligadas imaginando que o ladrão de hoje ainda cai nesse truque.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; So last week&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Enfim, entrei. Por trabalhar tanto tempo como porteiro ali mesmo, no Horto, eu tinha experiência com portas e portões. Há-há, naquela época eu também era crente. Entrei na sala e comecei a fazer meu trabalho: pegava as coisas e ia levando para o carro. O problema começou quando eu fui tirar um home theater que eu não devia ter tentado: mas era um Samsung! Eu fui tirar uma das caixas que estavam presas às paredes do teto e ela caiu. O pai desceu as escadas calmamente, achou que não era nada. Eu não tive escolha, apontei, atirei antes que ele me visse. Crua e friamente. O que é uma vida? Que falta ela ia fazer pra mim? Atirei. Acertei um no deltóide e outro no pescoço quando me aproximei. Pelo som da arma, imaginei que tinha acordado as outras da casa. Subi correndo as escadas para terminar o serviço. Ao entrar no quarto que me pareceu ser o quarto dos pais, eu vi a mãe pular nua da cama e ir correndo até o quarto vizinho. Ela escapou de morrer porque entrou rápido na porta.&lt;br /&gt;Entrei no quarto da filha: tudo certo, mais duas vidas. Vão todos juntos, amém. Ao entrar vi a cena que me paralisou: entre a cama e a parede a mãe estava agarrada à filha. Fazia uma espécie de concha com a pérola no meio. A mãe chorava desesperadamente e a filha só observava com olhos, inicialmente, de: “o que foi, mamãe?” Sua matriarca começou então a fazer os ruídos que eu entendia por “ela não!”. A menina passou a olhar pra mim. A menina começou a acabar com tudo que eu tinha desenvolvido. Começou a me dizer, sem abrir a boca, sem fazer som, sem usar uma palavra: “O que foi, seu moço? Quem é o senhor? O que o senhor vai fazer com isso aí na sua mão?” Minha mão tremia. O olhar se transladava pelo meu corpo, o olhar chegou ao meu joelho. Sentei-me na cama.&lt;br /&gt;- Como é o seu nome? – Perguntei à menininha depois de um tempo.&lt;br /&gt;Não houve resposta, mas a mãe dela me olhava com um olhar mais calmo. Não calmo. Mas menos agitado, com menos medo. Seria fácil matar se não fosse aquele projeto de ser humano me olhando. E, como chamar de projeto aquilo que nos venceu? Talvez ela esteja muito à minha frente. Parei de olhá-las. Sentado à beira da cama, olhei pro chão e diminuí a firmeza com que segurava a arma. Respirei. Apontei novamente a arma para a cabeça da menininha e atirei. Virei para a mãe e atirei novamente. Duas vezes na mãe. Sem olhar para o cadáver da menina, levantei e peguei o home theater para pôr no fundo do carro. Saí da casa. Dirigi ferozmente até a Av. ACM com a polícia no meu encalço. A essa hora ainda havia uma considerável frota de carros circulando as ruas de Salvador e isso foi minha sorte e a perdição da polícia. Despistei a polícia, mas não o olhar da menina. Já na estrada rumo ao norte da Bahia pelo litoral os olhos me vigiavam da lua. Eles eram a lua e o reflexo dela sobre o mar era minha vida. E não falo de passado, ou de futuro, porque o tempo é uma ilusão. Mas a minha vida, e à margem daquele olhar. Não foi minha decisão, não foi minha opção, mas o carro se dirigiu à ribanceira e caiu certa de 20m de altura no mar. Mas, não estranhamente, não subiu nem uma gota de água quando o carro impactou na água.  Aliás, houve impacto?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-829548570902167238?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/829548570902167238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/829548570902167238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/05/alias-que-agua.html' title='Aliás, que água?'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-2120812445943160945</id><published>2009-04-26T16:39:00.000-07:00</published><updated>2009-12-19T06:14:19.030-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Como, inconsciente e inevitavelmente, sempre acontece.</title><content type='html'>Ele nunca havia visto nada semelhante. Aqueles olhos possuíam uma beleza irremediável e uma alegria imponente, que despertaram qualquer coisa de novo nele. Aqueles olhos não o olhavam, mas ele podia se ver ali, ele podia se imaginar dentro daquelas imponentes esferas adornadas de castanho-escuro. E ele passou a fazer todos os dias, em todos os seus momentos de solidão, as horas voavam quando ele pensava naqueles olhos. Ela vivia a olhar o mundo através de suas retinas mágicas. Era como se houvesse cortinas semitransparentes que filtrassem a miséria do mundo. Seus olhos sempre davam a impressão de que ela esta a procurar qualquer coisa a mais. Ninguém nunca a via triste, seus momentos de tristeza eram obnubilados e ela fazia questão de passá-los sozinha.&lt;br /&gt;Certo dia, certa hora, errado momento, eles se conheceram. Errado momento porque todo momento é errado para se conhecer alguém que já se ama previamente. As palavras se trombam na língua e as pessoas pensam tanto em, O que será que ela esta pensando de mim, que esquecem de ser quem são. E, sim, eles já se amavam previamente, desculpem a minha distração em não apresentar-vos dignamente.&lt;br /&gt;Eles moravam no mesmo bairro desde sempre. Ele morava com sua mãe e era órfão de pai; todavia, sua mãe valia por cinco pais e dez mães. Tinham uma pequena pensão paga pelo estado e sua mãe escrevia poesias que rendiam algum dinheiro. Moravam numa casa simples e pequena, igual a todas as outras da rua, mas eram vizinhos da Biblioteca Municipal, onde – diga-se de passagem – ele passava a maior parte do seu dia, de tanto amor às palavras. Era quase um contratado do prefeito. Era ali também, na janela do segundo andar, que ele passou a olhá-la passando todos os dias, em horas decoradas. Nunca havia tido uma namorada, nunca soube o que era uma mulher, e, na verdade, não se preocupava tanto quanto os outros meninos da idade dele. Ela morava com seu pai e sua madrasta, sua mãe ela nunca conhecera e o pai não sabia onde estava. Nunca havia notado aquele fantasma que a adorava da janela da biblioteca. Sua paixão era o cinema, sabia o nome de todos os atores e diretores importantes e adorava Jean-Paul Belmonde. Ia toda sexta-feira ver a novidade da semana. Onde ele, não por coincidência - nem por amor ao cinema - também ele estava toda semana, algumas cadeiras distantes dela, mas perto o bastante para admirar seus olhos que não desviavam do telão. Ela era capaz de formular críticas mais embasadas e melhores que às do jornal, mas jamais havia pensado na hipótese. Enjoava fácil das pessoas, de modo que nunca conseguia manter um pretendente. Mas também pouco se importava. As vizinhas velhas e fofoqueiras diziam que o seu pai não sabia criá-la e que ela acabaria uma velha solteira rodeada de gatos forniqueiros – como a maioria delas era. Mal sabiam as velhas criadoras de gatos tarados que ela já era apaixonada. Mal sabiam elas que ela já amava alguém, e mal sabia ela, também.&lt;br /&gt;O dito encontro aconteceu às inesperadas. Ele ia saindo da biblioteca, ela chegando. Ele, que ia cheio dos papéis, não a viu e trombou nela, derrubando vários papeis no chão. Ele abaixou, apanhou-os e ia saindo, quando ouviu uma voz, curiosamente desconhecida:&lt;br /&gt;-Desculpe-me.&lt;br /&gt;Ele não sabia quem havia dito aquilo e ia olhando para dizer, Não há problema, mas ficou mudo ao encarar aqueles olhos de medusa. Foi preciso muita força para ajeitar os óculos ainda a encarando, mas não teve tanta quando ela começou a sorrir: ele desviou o olhar pro chão.&lt;br /&gt;- Ahm... Por nada – sua voz saiu e não saiu. Mas ela entendeu.&lt;br /&gt;O bibliotecário oficial, sem perceber o peso daquele momento, pediu que ele mostrasse a ela onde ficava tal livro, Porque ninguém conhece essa biblioteca melhor que você, completou. Levou-a então ao tal livro, andando à sua frente para não ter que olhá-la.&lt;br /&gt;- Você já leu? – Ela quebrou o gelo, e também pouco entendia como pode caber tanto atrapalho numa pessoa só.&lt;br /&gt;- Já sim.&lt;br /&gt;- E gostou?&lt;br /&gt;- Se você quer que eu seja sincero, achei-o fraco.&lt;br /&gt;- Ah, foi uma amiga que me sugeriu... E você tem alguma sugestão melhor?&lt;br /&gt;Imediatamente ele parou e, de tão brusco freio e de tão rápida girada de calcanhares, ela tombou nele, de forma que seus rostos ficaram quase colados. Ela pediu desculpas e se afastou um pouco com vergonha, mas sem maiores emoções. Para a sorte dele, porque mais três segundos olhando quase dentro daqueles olhos e ele teria infartado. Ele se esticou e alcançou um livro na prateleira ao lado, puxando para si e estendendo-o para ela.&lt;br /&gt;- Os Miseráveis? – Perguntou ela, lendo o título.&lt;br /&gt;- É sim, do Victor Hugo. O autor é o mais importante.&lt;br /&gt;- Parece meio triste...&lt;br /&gt;- E é, no início, mas é um livro fascinante.&lt;br /&gt;- Certo, mas se for ruim, é culpa sua – terminou, sorrindo.&lt;br /&gt;Ela leu e quinze dias após voltou para agradecer pedir outro. Daniel Defoe, Eça de Queirós, Shakespeare, Herman Hesse, Tchekhov, Dostoievski, Maiakovski, Kafka, Machado de Assis e todos os clássicos imprescindíveis aos novos leitores lhe foram apresentados. E a literatura os aproximou como as suas personalidades tímidas não conseguiriam. Ela voltava toda semana para devolver um livro e buscar outro. Eles passaram a trocar comentários, críticas e elogios, tornaram-se amigos. Apaixonou-se instantaneamente por Maiakovski e por Shakespeare. Ele, cada vez mais apaixonado por aqueles olhos, gastava horas do seu dia pensando no que mostrar pra ela na próxima vez. A melhor hora da semana dele era a visita dela e ele sentia-se na obrigação de manter isso. Ela limitava-se a admirá-lo pelo seu conhecimento e pela sua bagagem literária e, estranhamente, sentia-se meio boba pelo seu jeito de falar, mas achava natural. E nunca teria descoberto que o amava loucamente até o dia em que o encontrou a ler poesias, distraído. O poema em questão era o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quero apenas cinco coisas...&lt;br /&gt;Primeiro é o amor sem fim&lt;br /&gt;A segunda é ver o outono&lt;br /&gt;A terceira é o grave inverno&lt;br /&gt;Em quarto lugar, o verão&lt;br /&gt;A quinta coisa são teus olhos&lt;br /&gt;Não quero ser... sem que me olhes&lt;br /&gt;Abro mão da primavera para que continues me olhando”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É tão... – ela ia fazer um comentário.&lt;br /&gt;- Você – ele completou. Não sabia se tinha feito bem, nem sabia se tinha feito, na verdade.&lt;br /&gt;E ele abriu um leque de poesias e poesias que lembravam ela, São todos você, ele disse. Drummond, Pessoa e muitos, muitos de Neruda. Ela passou algum tempo lendo e sem levantar os olhos. Ninguém jamais havia feito nada igual, e ela, ela que estava cansada de ser desejada pela sua beleza, via naqueles poemas mulheres que ela gostaria de ser, e mulheres que nem ela sabia que havia nela. E levantando seus olhos para encontrar os dele,  que ela descobriu que à sua frente estava aquilo que os olhos dela sempre andavam buscando; e ele, não tão abençoado por dotes físicos, tornou-se o homem mais bonito que ela já havia visto. E ela, que não sabia o que fazer - pois não cabia bem para uma moça pular em cima de um homem, descabelá-lo e beijá-lo intensamente, com as mãos à sua nuca, apertá-lo contra seu seio e suspirar como se o mundo pudesse ser esquecido por um breve instante, como ela secretamente desejava -, fez o que melhor podia ter feito: olhou-o com seus novos olhos. Olhou com olhos de cor indefinida, olhou-o com olhos de todas as cores, que deveria traduzir no branco, mas que não era enfermo como o branco: brilhava!&lt;br /&gt;Mais para olhar fundo nos olhos dela do que para qualquer outra coisa, ele levantou-se. E após alguns preciosos e eternos segundos, beijou-a. Mas o beijo era a parte menos importante. O beijo é só um selo. O beijo torna esses momentos plácidos. O beijo só foi um adesivo que carimbou aquele momento, acordando fisicamente um amor que já dormia muito antes nas dimensões da metafísica como, inconsciente e inevitavelmente, sempre acontece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-2120812445943160945?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/2120812445943160945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/2120812445943160945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/04/como-inconsciente-e-inevitavelmente.html' title='Como, inconsciente e inevitavelmente, sempre acontece.'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-1061363804991147852</id><published>2009-03-18T08:09:00.000-07:00</published><updated>2009-03-20T10:14:49.946-07:00</updated><title type='text'>Dentre as coisas que ascendem a certeza do amor.</title><content type='html'>Eu não aguentava aquele olhar. Se eu pudesse, naquele momento, dar dez, quinze anos da minha vida para vê-la sorrir e me abraçar, assim o faria. Era o tapa mais forte que eu já havia tomado, o grito mais alto ao pé do ouvindo, era como me afogar na barragem das lágrimas que ela continha por orgulho.&lt;br /&gt;Nunca escondi - nem hei de esconder - nada dela. Minha vida é um livro aberto que eu dei pra ela e assinei na contra-capa: "É seu. E se quiser, arranque as páginas anteriores a você, estão velhas e mal cuidadas, as figuras não têm cor e as palavras ainda são um conjunto de letras com significado de dicionário." Mas ela não entendia, ou ignorava o fato de que o que aconteceu foi um tombo casual de duas trivialidades na esquina da suspeita e o olhar dela insistia em me atormentar.&lt;br /&gt;E, me atormentando cada vez mais, eu acabei por perder o chão e as saídas que eu idealizava acabavam por desabar, empurradas pelo vento da incerteza. Todos os meus argumentos era refutados com a mesma justificativa, que, às suas vistas, servia para todos; e às minhas também, se tudo aquilo não passasse de um equívoco de interpretação. Minha insegurança, sempre pronta a me assolar, me empurrava à beira do precipício e as coisas iam se aproximando do fatalismo. Eu já beirava o drama - tão repugnado por ela - e já pensava em falar coisas que nunca cabem a uma discussão.&lt;br /&gt;Já às beiras da queda, empurrei as mãos da insegurança e pousei as mãos dela sobre meu peito, essa decisão não cabia a um defeito humano, senão à sua mais pródiga característica: a escolha. Espontaneamente, num &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;coup&lt;/span&gt; d'&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;oiel&lt;/span&gt; do infinito amor que nos liga, ela agarrou-me pelas golas e puxou-me contra si. Entrelaçando seus braços às minhas costas ela disse, por meio da velocidade e da delicadeza do gesto, que estava tudo esquecido já não importava mais; tudo bem, ela acreditava em mim. Levantando-a pela cintura e encostando minha boca ao seu ouvido, eu eu disse a única frase que me passava na cabeça, no momento: "entenda, meu amor: eu não preciso de mais ninguém enquanto seus olhos me passarem esse êxtase que é tudo que um homem precisa". Mordi levemente o lóbulo da sua orelha e o que se sucedeu, apenas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;García&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Márquez&lt;/span&gt; teria o dom de relatar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-1061363804991147852?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/1061363804991147852'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/1061363804991147852'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/03/dentre-as-coisas-que-ascendem-certeza.html' title='Dentre as coisas que ascendem a certeza do amor.'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-8760734291039343714</id><published>2009-02-19T06:36:00.000-08:00</published><updated>2009-04-28T14:41:46.481-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Aventuras Naturais</title><content type='html'>Uma vez o cineasta Geraldo Sarno, que é muito natural embora não pareça, me levou pra almoçar num restaurante natural e saí de lá deprimido, levei dois dias pra para me recuperar. Quando a ele, garantiu-me que adorava aquilo tudo, apesar de comer com o mesmo ar &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;funéreo&lt;/span&gt; dos demais presentes. Pior do que essa experiência &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;acabrunhante&lt;/span&gt;, só a que tive num restaurante &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;macrobiótico&lt;/span&gt; de Salvador, ao qual concordei &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;que&lt;/span&gt; me levassem num momento de insensatez e que me deixou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;abaladíssimo&lt;/span&gt; - aqueles mastigadores obstinados, aquela aura de expiação de pecados através de penitências alimentares, aquela atmosfera pálida e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;astênica&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;Desconfiado, diria mesmo que intimidade, perguntei se não havia qualquer coisinha para beber e responderam que &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;havia&lt;/span&gt;, claro que havia. Maravilhoso, que podia ser, então? Dependia da minha preferência. Ah, sim, nesse caso, que sugeriam? Com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;revoltante&lt;/span&gt; cinismo, o falso amigo que me levou a esse lugar desfiou um rosário horripilante de possibilidade, a começar por suco de espinafre (que nunca vi, mas considero imoral por definição e terminado por suco de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;beldroega&lt;/span&gt;, que não sei o que é tampouco soa como algo decente. Perguntei se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;não&lt;/span&gt; havia água, então, uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;agüinha&lt;/span&gt; mineral. Mineral não, responderam com desdém, temos água descansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Água descansada? Descansada?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, água descansada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E essa água descansada é diferente da água comum? Quer dizer que normalmente eu bebo água cansada? Isso é mau?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De certa maneira, você bebe água cansada, sim, pode-se dizer isso. Água misturada com aditivos nocivos, talvez poluída, esterilizada através de meios violentos e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;antinaturais&lt;/span&gt; como a filtragem e a fervura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A daqui não é filtrada nem fervida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro que não. É água natural, de fonte límpida, que deixamos decantando em vasos de cerâmica especial. Descansando, portanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fantástica água. Será que eu posso beber um copo d'água &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;geladinha&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;Geladinha&lt;/span&gt; não temos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por quê? Gelar cansa a água?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é natural beber água gelada, é outra violência que se comete contra o organismo. Além disso, o senhor não devia beber água às refeições, não é bom, talvez um chá, temos chás excelentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- De &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;beldroega&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se o senhor quiser. Mas temos de tília, de...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não, esqueça, tudo bem, eu espero a comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que resolvi esperar, devia ter fugido antes, inclusive porque, de outra ponta da sala, como um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;especrto&lt;/span&gt; ossudo, aparece um outro amigo meu, que por sinal não reconheci na mesma hora. Macilento, de uma cor parda indefinida, gestos fluidos, voz aflautada, cumprimentou-me &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;festivamente&lt;/span&gt;. Que alegria eu lhe dava, aparecendo ali, vendo finalmente o caminho da saúde, da felicidade e da paz de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca tive tanta saúde - disse, com um sorriso de múmia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você não está me achando bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Hein&lt;/span&gt;? Sim, muito bem, está muito bem mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é, disse ele, os olhos muito protuberantes no rosto &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;escaveirado&lt;/span&gt;. - Sinto-me uns 10 a 15 anos mais moço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Embora pareça uns 40 mais velho", pensei eu, mas não disse, até porque estava chegando a comida. Ao contrário do que acontece quando a comida chega em circunstâncias normais, ninguém esfregou as mãos, lambeu os beiços, sorriu ou lançou um olhar satisfeito sobre os  pratos. Ao contrário, criou-se um clima contigo e grave, piorando no meu caso pela dor nas costas que me dá sentar em almofadas no chão, o que também me deixa sem saber o que fazer com as pernas. Mas, de fato, a comida não mereceria outro tipo de recepção que não aquele velório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que é isto aqui? - perguntei a um dos amigos, apontando uma massa de cor repelente e consistência suspeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isto é arroz, arroz integral.  Receita da casa, os donos são &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;gênios&lt;/span&gt; culinários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com certeza, conseguem vender esse negócio e o pessoal ainda paga e agradece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Hein&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada, não. Arroz, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;hein&lt;/span&gt;? Quem diria, assim à primeira vista eu pensei que era papa de alpiste com goma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;arábica&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Ha&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;ha&lt;/span&gt;, mas é arroz. É uma delícia, experimente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está certo. Acontecendo alguma coisa, avise à família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Hein&lt;/span&gt;? &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Quel&lt;/span&gt; tal? &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Hein&lt;/span&gt;? Não! Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não o quê? O que foi, eu estou pálido? Estou roxo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é isso, você não mastigou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mastiguei, sim.  Não havia muito o que mastigar, mas mastiguei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem que mastigar pelo menos 50 vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Cinqüenta&lt;/span&gt; vezes? É por isso que ninguém fala aqui, todo mundo contando as mastigadas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é preciso que sejam rigorosamente 50 mastigadas. Mas essa é a média para que você consiga liquidificar a comida na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se é assim, então por que não passam logo tudo no &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;liquidificador&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, tem que ser feito na boca. Deve-se mastigar até a água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;Cinqüenta&lt;/span&gt; vezes cada gole?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mais ou menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída, com os maxilares &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;destroncados&lt;/span&gt; e a sensação de que tinha comido vento moído, refugiei-me imediatamente num &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;boteco&lt;/span&gt; da esquina, comi um sanduíche de pernil e jurei romper relações com o primeiro que me levasse à macrobiótica ou à naturalidade ou qualquer coisa correlata. Mas o destino é &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;irônico&lt;/span&gt;. Não é que minha filha &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_34"&gt;Chica&lt;/span&gt;, que recentemente colhei a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_35"&gt;primeira&lt;/span&gt; flor no jardim da sua existência, com 13 quilos e físico de lutador de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_36"&gt;sumô&lt;/span&gt; é metida a natural? Com essa idade, vejam vocês, já é tora natural, não come carne, é cheia de novidades. Altas preocupações na família, grandes leituras do dr. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_37"&gt;Spock&lt;/span&gt; e do dr. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_38"&gt;Delamare&lt;/span&gt; - essa menina precisa comer proteínas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_39"&gt;carboidratos&lt;/span&gt; e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_40"&gt;lipídios&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o preparo físico dela (se houvesse recorde infantil para levantamento de peso, essa medalha já estava no papo) demonstra que alguma coisa dá certo na dieta dela. Como será que ela obtém as tão faladas proteínas? A resposta, como outras grandes descobertas, veio por acaso. Aqui em &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_41"&gt;Itaparica&lt;/span&gt; tivemos também uma praga de grilos, uma infestação generalizada, grilo por tudo quanto era canto. Em nossa casa, contudo, a infestação era mais moderada que em outros lugares. Por quê? Eis que, observando &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_42"&gt;Chica&lt;/span&gt; brincando no chão, noto que ela pegou alguma coisa que pôs na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que é isso aí na boca? Tira isso da boca!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tarde demais. Mastigando com grande prazer &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_43"&gt;gastronômico&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_44"&gt;Chica&lt;/span&gt; acabara de jantar um grilo ao primo cri-cri. Só consegui puxar uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_45"&gt;perninha&lt;/span&gt;, já mastigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mulher! - gritei lá para dentro. - &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_46"&gt;Chica&lt;/span&gt; comeu algum grilo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- São João &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_47"&gt;Batista&lt;/span&gt; também comia - disse ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas você acha certo esse negócio de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_48"&gt;Chica&lt;/span&gt; comer grilo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não posso fazer nada, isso nem é a pior coisa que ela já comei. Você quer saber o que eu já peguei ela comendo? Ela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não diga, não diga, eu já sei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, é proteína, isso ninguém pode negar. Dobramos a vigilância, mas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_49"&gt;Chica&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_50"&gt;consegue&lt;/span&gt; traçar uns dois grilos por dia, no mínimo. E a verdade é que tudo na vida pode ser visto por um ângulo favorável. Outro dia mesmo, quando Zé de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_51"&gt;Honorina&lt;/span&gt; estava lá em casa para tomar um &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_52"&gt;cafezinho&lt;/span&gt;, observou que tínhamos bem menos grilos que as outras casas da ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que é que você faz, usa muito &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_53"&gt;inseticida&lt;/span&gt;?  - perguntou ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não. Nós usamos controle biológico - respondi, olhando para minha filha orgulhosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RIBEIRO, João Ubaldo. O Dono da Noite. Objetiva, 2008. p. 47-53.&lt;br /&gt;&lt;span style="text-decoration: underline;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a class="hotLink" target="_self" href="http://www.orkut.com.br/UniversalSearch.aspx?q=%221967.+p.+379.%22"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-8760734291039343714?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8760734291039343714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8760734291039343714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2009/02/aventuras-naturaisois.html' title='Aventuras Naturais'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-8986435848040436931</id><published>2008-12-12T05:20:00.000-08:00</published><updated>2009-04-28T14:41:46.481-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Ah, a velhice!</title><content type='html'>Eu sei que é errado essas coisas de ter inveja, e tal, mas, porra! Não dá pra não ter às vezes. Era pra ser só um dia normal, de discussões &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;corriqueiras&lt;/span&gt;, música e leitura. Discutia com algumas pessoas sobre essa coisa de amor eterno, de paixão na velhice e tal. Elas diziam que isso não existe, que é coisa de filme, livro, que eu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;estava&lt;/span&gt; lendo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;García&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;Márquez&lt;/span&gt; demais quando tive que sair de casa pra comprar CDs virgens e umas palhetas pro violão.&lt;br /&gt;Como as lojas são próximas ao local onde minha mãe trabalha, eu decidi não gastar meu dinheiro e pegar o cartão dela - só mais um dia normal. Entrei no prédio e me &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;direcionei&lt;/span&gt; até o elevador para subir quando vi que um velho. As rugas e o andar corcunda denunciavam uma senilidade em torno dos 80 anos. Eu segurei a porta do elevador e o cumprimentei com um "bom dia" &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;cotidiano&lt;/span&gt;. Ele me olhou por trás do seu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Ray&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Ban&lt;/span&gt; brilhante e me &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;direcionou&lt;/span&gt; um sorriso tão carismático que parecia conter resquícios de um amor transbordante que ele partilhava com qualquer desconhecido. Subimos até o segundo andar e eu me adiantei para o escritório da minha mãe &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;enquanto&lt;/span&gt; ele conversava com a secretária da mesma. Entrei, dei um beijo nela e falei que ela estava linda antes de pedir o cartão. Enquanto ela vasculhava a bolsa - aliás, nada nesse mundo é tão constantemente desorganizado quanto uma bolsa de mulher -, o velho apareceu à porta e disse com uma voz carinhosa:&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;Zeni&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;Minha mãe levantou a cabeça para ver quem a chamava e abriu um largo e sincero sorriso ante a imagem do senhor.&lt;br /&gt;- Seu Alberto! Como você está lindo! Comprou óculos novos, foi? - Ela falou com um carinho que minha mãe guarda só para os anciãos, mas a resposta se deu num daqueles momentos que eu espero guardar por toda a minha vida:&lt;br /&gt;- Foi meu amor que me deu. - Ele disse, avermelhando as murchas maças do rosto e desviando o olhar, com uma expressão pueril contrastante e, ao mesmo tempo, condizente com sua aparência.&lt;br /&gt;Mais tarde eu vim a saber por minha mãe que o amor dele era uma senhora com quem ele estava casado há 58 anos e de quem nunca havia se separado. Ah, porra! Como não sentir inveja de pessoas assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Detalhe único, mas indispensável:&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Aham&lt;/span&gt;, essa foi auto-biográfica.&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;Fato único, relacionado ao texto:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;ul&gt;&lt;li&gt;Eu vou ser igual a esse velho.&lt;br /&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ul&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-8986435848040436931?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8986435848040436931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/8986435848040436931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2008/12/eu-sei-que-errado-essas-coisas-de-ter.html' title='Ah, a velhice!'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-5680493145373886788</id><published>2008-11-17T07:46:00.000-08:00</published><updated>2009-06-30T04:45:52.173-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Elas não querem tanto assim.</title><content type='html'>Se você quer uma dica de amigo, ouça isso: nunca se apaixone por uma mulher que ande com o queixo empinado. É, eu sei, é difícil resistir àquele andar retesado, àquele olhar invasor, àquela forma de alinhar os pés um sempre à frente do outro e àquele jeito de movimentar-se como se estivesse no comando de tudo e tudo tivesse ao seu alcance. Mas, acredite, falo por experiência própria.&lt;br /&gt;Certa feita eu estava bebendo uma cerveja ali no Caranguejo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;Serjipe&lt;/span&gt;, naquela esquina entre a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;Madrre&lt;/span&gt; e o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;charmoso&lt;/span&gt; Parque Costa Azul. Distraído entre aquelas mesas de madeira caprichosamente bem lustradas , encantado pelo misto que causava o cheiro dos melhores mariscos de Salvador e o sabor amargo da cerveja, ouvindo Lucas falar alguma coisa sobre a situação crítica da merda do Fluminense quando eu vi. Natália - como eu vim a descobrir mais tarde - subiu os &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;degraus&lt;/span&gt; da entrada com aquele porte laborioso e auto-suficiente, o queixo formando 97º com a linha do pescoço, digna da Afrodite que brotava dos olhos castanho escuros, quase negros.  Parou procurando por uma mesa vazia aproveitando a brisa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;noturna&lt;/span&gt; do mar que valorizava seus cabelos na tentativa ineficaz de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;bagunça&lt;/span&gt;-los.&lt;br /&gt;Assim que avistou uma mesa livre, percorreu o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;trajeto&lt;/span&gt; até o dito alvo, mas eu nunca entendi se foi ela que se moveu até a mesa, ou o lugar que que levou a mesa até ela. O fato que, hipnotizado por aquela áurea cativante, corri até ela como se não houvesse mais nada que eu pudesse ou mesmo quisesse fazer. Só quando cheguei à mesa foi que eu percebi que ela estava rodeada de amigas. Chamei-a com um gesto tímido e no outro dia ela acordou na minha cama. Namoramos 14 meses, não consegui mais que isso.&lt;br /&gt;Acredite, insegurança. A mulher mais linda que eu já havia visto era insegura. Não sabia o que fazer comigo, vivia pedindo pra eu fazer o que eu queria quando eu queria ficar com ela, mas ela tinha medo de que eu estivesse com ela só pra fazê-la feliz. Às vezes insistia pra que eu fosse &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;pr&lt;/span&gt;'algum lugar com meus amigos nos fins de semana, reclamava que eu ficava demais porque eu me preocupava com ela. Mas eu vejo as coisas pelo lado bom, aprendi um pouco mais das mulheres com ela.&lt;br /&gt;Meu próximo algoz foi uma menina &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;recém&lt;/span&gt;-chegada do interior. Aquele olhar pueril me conquistou logo de cara. Ela andava olhando pro chão e pedia desculpa por qualquer coisa, essas meninas deveriam andar com alertas avisando que são perigosas, deveriam andar com placas daquelas que colocam em usinas nucleares e locais onde há perigosa &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;radioatividade&lt;/span&gt;. Outra dica: cuidado com meninas assim. Era um tipo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;baixinha&lt;/span&gt; com cabelos negros e espessos e os lábios de um roxo que eu adorava olhar nos intervalos dos beijos. Mariana só usava sandálias rasteiras ou &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;tênis&lt;/span&gt; e tinha um sotaque do interior já meio reprimido, mas, esporadicamente ela lançava um "&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;uai&lt;/span&gt;!" Eu achava lindo. Vivia repetindo que entre a gente tinha sido amor à primeira vista e eu dizia que sim; mais pra encantar do que por concordar, e ela abraçava meu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;abdômen&lt;/span&gt; e encostava a cabeça no meu tórax.&lt;br /&gt;Onze meses. E só porque aquele olhar me ganhava. As brigas com &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Mari&lt;/span&gt; eram um problema dos mais incompreensíveis. Colocando em miúdos, eu passei um período complicado na faculdade, muito trabalho, muito estudo, pouco resultado. Eu mal tinha tempo de me espreguiçar quando acordava e, quando eu tinha duas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;horinhas&lt;/span&gt; vagas, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Mari&lt;/span&gt; as queria só pra ela. Meus amigos reclamavam que eu não tinha tempo pra eles e ela que eu não dava valor a ela.&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;Mari&lt;/span&gt;, eu sai com você em todas as outras vezes que eu tive tempo, mas eu tenho amigos, preciso vê-los! Me entenda! - Era como eu tentava convencê-la.&lt;br /&gt;- Tá, desculpa. - Ela respondia sem olhar nos meus olhos.&lt;br /&gt;- Não pede desculpa... Eu já te disse que você não fez nada de errado... Eu me sinto mal, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;poxa&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;- Tá, tá bom. Desculpa.&lt;br /&gt;Me ganhava. Sempre. Até o dia em que ela apareceu em minha porta e disse:&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Ok&lt;/span&gt;, quer ficar com seus amigos, boa sorte. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Des&lt;/span&gt;... Ah! Esqueça!&lt;br /&gt;Deu as costas e eu nunca mais a vi. Quem entende as mulheres? &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Fiz&lt;/span&gt; tudo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;direitinho&lt;/span&gt; com ela, tudo que eu havia aprendido nos relacionamentos anteriores. Mas, incrível! O que paras outras era defeito, pra &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Mari&lt;/span&gt; era qualidade, o que pra &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Mari&lt;/span&gt; era qualidade, paras outras podia ser defeito ou qualidade, todavia, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;Natlia&lt;/span&gt; concordava com alguns defeitos e ignorava outras qualidades, tais quais &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Mari&lt;/span&gt; gostava de avultar, mas às vezes oprimir também; outras coisas elas simplesmente concordavam entre elas, mas as outras discordavam, e as amigas delas discordavam de coisas que elas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;concoradam&lt;/span&gt; discordando e terminavam por discordar sem uma certeza plena de que concordava ou não, ocasionalmente... Tá, eu admito, é impossível entender as mulheres, impossível. Só o meu primeiro namoro, o que eu tinha menos experiência em relacionamentos, durou bastante e só terminou porque ela teve que ir pra outro país. Talvez, mas só talvez, esse seja o segredo das mulheres. Por eu não ter traumas nem dogmas oriundos de outros amores, eu tinha como exemplo de mulher somente &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Larissa&lt;/span&gt; e tentava entendê-la sem ouvir opiniões de outras mulheres nem lembrar de casos antigos. Mulheres não entendem de mulheres, isso é fato. Mas, o que eu tiro disso tudo é que talvez as mulheres não queiram que os homens entendam as mulheres como um todo, e sim a sua mulher em especial. Ou elas não querem ser entendidas, só querem nos ver absortos nessa busca inútil, mesmo conhecendo-a como frívola, mas que seja por amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-5680493145373886788?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/5680493145373886788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/5680493145373886788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2008/11/elas-no-querem-tanto-assim.html' title='Elas não querem tanto assim.'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-5596081892802909393</id><published>2008-10-16T03:07:00.000-07:00</published><updated>2010-08-19T07:47:33.929-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Despertar da realidade é bem melhor, creio eu.</title><content type='html'>Ela estava varrendo a casa; esfregava violentamente a vassoura contra o chão já limpo da garagem. Provavelmente ela achava que estava varrendo os próprios problemas. Varreu por um tempo no ritmo de quem havia abusado das carreiras de cocaína; quando enfim cansou, largou a vassoura e sentou-se lançando as costas contra a parede e colocando as mãos na cabeça. Desejava não estar ali, desejava não ser quem era, desejava poder abraçá-lo.&lt;br /&gt;Por quê? Por que eu me sinto assim? Por que eu não consigo esquecê-lo? Ela começou a sentir raiva de si mesma por não conseguir exceptuá-lo de sua própria cabeça. Mas por quê? Ela também não deveria ter raiva de si mesma, mas não controlava isso. Passou a sentir vergonha de si mesma por ter raiva de si mesma. E tinha mais raiva de si mesmo por não controlar nada disso, por não conter seus sentimentos. Seria tudo mais fácil se fosse homem, não ligaria pra nada, viveria a vida dela sem precisar de ninguém.&lt;br /&gt;O telefone tocou. Isso lá eram horas de um telefone tocar? Arrastou o seu corpo e o chumbo que carregava dentro dele até a estante e puxou o telefone do gancho.&lt;br /&gt;- Quem é?&lt;br /&gt;- O Julio está?&lt;br /&gt;- Não, porra, número errado! - E bateu o telefone como se o objeto tivesse alguma culpa sobre os problemas dela.&lt;br /&gt;Na verdade, aquela era a casa dele. Ou melhor, deles. Haviam comprado na época que eram um "casal feliz". Eventualmente, ele a abandonara após a briga do sábado. O telefone tocou de novo. Devia ser o mesmo imbecil, ela puxou o fio. Ela nem sabia que culpa o coitado tinha em ligar. Mas quem mandou ele ligar quando ela estava nessa situação?&lt;br /&gt;Quem sabe um café me acalma. Apoiando-se na estante e nas paredes ela se levantou devagar e foi caminhando sem conseguir levantar as sandálias do chão até a cozinha. Começou a colocar a água na panela. Porra! Tem água demais, esse café é só pra mim, só... E ela começou a sentir falta do som do rádio que ele sempre ligava quando eles iam tomar café e ela sempre reclamava porque ela queria conversar. Encarou o rádio até decidir, enfim, ligá-lo. Pra completar o vazio da atmosfera que só lembrava ele pela falta dele. Na verdade, ela procurava no rádio a presença dele, mas ela não quis afirmar isso nem pra si mesma.&lt;br /&gt;Sentou-se à mesa para esperar a água ferver.&lt;br /&gt;"Por que ele fez isso comigo? Por que os homens têm que fazer essas coisas? De início, eles são lindos; flores, chocolates, palavras, carinhos, desejo... Depois viram aquela grande bola de cevada que nem te abraça mais na cama e nem dá mais beijos de boa noite, nem de bom dia, nem elogia mais, não fala dos meus cabelos, não fala das minhas pernas..."&lt;br /&gt;E veio aquela saudade dos seus vinte e dois anos. Decidiu - ou não, foi só por impulso, mas foi- se levantar e pegar as fotos deles. Aquelas dos bons tempos. Levantou-se com certo ânimo e foi até a estante pegar um dos álbuns de fotografias. Abrindo-o sobre a mesa sentiu um nó subir-lhe a garganta e quase chorou. Mas não, ele não merece que eu chore por ele, não merece.&lt;br /&gt;Ela era tão bonita. Tinha fotos deles na praia, ha-ha, ele usava aqueles óculos redondos imitando o Cazuza, ha-ha! Tinha uma foto dela varrendo a casa. Ha-ha! Que coincidência. Na foto ela estava de shortinho, camisa de alça com um pouco da barriga propositalmente à mostra e os cabelos amarrados num cuidadoso rabo-de-cavalo com uma mecha caprichosamente esquecida sobre o rosto.&lt;br /&gt;Foi ao espelho do quarto pra se ver agora. Afinal, ela não devia estar tão diferente. Chegou, encarou-se, e passou uns tempos a observar-se e a pensar. Ela estava vestida com um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;short&lt;/span&gt; desses de jogar futebol dele, uma camisa de time velha e rasgada na lateral, um boné velho para esconder os cabelos desarrumados e as pernas por fazer.&lt;br /&gt;Sentiu-se tão assustada por ver a si mesma tão feia. Ela já não se cuidava com antigamente. Consertou a calcinha que estava lá dentro demais e voltou para o olhar o álbum. No fundo, ela também havia mudado bastante. Era sempre assim com a maioria dos casais, parando pra observar. As mulheres sempre reclamavam das mesmas coisas, sempre falhavam nas mesmas coisas, sempre pediam pelas mesmas coisas que os homens nunca conseguem enxergar claramente, porque mulheres falam em línguas cifradas para que o homem entenda a ela, e não às mulheres, a ela, só a ela. E, no fundo, eles também sentem falta de coisas nelas que eles nem percebem que sentem. E os dois caem nessa cadeia viciante que só termina quando vem aquela, aquela discussão. Casamentos amadurecem demais as pessoas, se elas não tomarem cuidado.&lt;br /&gt;E, com o sorriso de uma criança que levanta após o tombo, ela correu até o telefone. Ela queria dizer-lhe tudo, todo aquele discurso pueril, sandeu e, ao mesmo tempo, revitalizante, típico de uma adolescente apaixonada. Ela queria vê-lo entrando pela porta, queria pular nele, beijá-lo, cheirá-lo, tirar toda a sua roupa e levá-lo pra cama, como ela fazia nos primeiros meses de casados.&lt;br /&gt;-Alô, amor? Venha pra casa. Agora. Preciso te mostrar uma coisa!&lt;br /&gt;-Hein? Coisa? Mas, mas a gente não tinha brigado? Você não disse que não queria mais ver a minha cara? Coisa? Que coisa?&lt;br /&gt;- Cala a boca e vem logo. Quero te mostrar tudo, tudo, corre pra cá. Agora!&lt;br /&gt;E disparou para a cozinha para colocar mais água na panela de café que já estava seca; secara junto com as preocupações dela. E agora a panela sorria pra ela porque, dessa vez, ela colocaria água para dois, e agora até a cozinha sorria, porque cozinharia para dois.&lt;br /&gt;E toda a casa estava viva e sorria pra ela, as paredes retomaram cores que, na verdade, não estavam perdidas, só passavam despercebidas, elogiavam sua beleza e a despertavam da realidade, porque viver de amor e de sonho - que são, de certo modo, a mesma coisa - é muito melhor. A única realidade que nos é impossível ignorar é a morte, mas ela só acontece uma vez, e sempre, sempre se há muito tempo para Viver antes dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-5596081892802909393?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/5596081892802909393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/5596081892802909393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2008/10/despertar-da-realidade-bem-melhor-creio.html' title='Despertar da realidade é bem melhor, creio eu.'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-4316688204345952881</id><published>2008-10-13T06:54:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T14:41:28.483-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>A Última Crônica</title><content type='html'>A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu queria meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.&lt;br /&gt;Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.&lt;br /&gt;Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sobre a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção de bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apensar uma pequena fatia triangular.&lt;br /&gt;A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais observa além de mim.&lt;br /&gt;São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menina repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha finalmente agarra o bolo com as mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;fitinha&lt;/span&gt; no cabelo &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;crespo&lt;/span&gt;, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;satisfeito&lt;/span&gt;, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim abre um sorriso.&lt;br /&gt;Assim eu quereria a minha última &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;crônica&lt;/span&gt;: que fosse pura como esse sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;SABINO&lt;/span&gt;, Fernando. A Última &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Crônica&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;In&lt;/span&gt;: ANDRADE, Carlos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;Drummond&lt;/span&gt;. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;et&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;aliii&lt;/span&gt;. Pra gostar de ler &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;crônicas&lt;/span&gt;. São Paulo, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Ática&lt;/span&gt;, 1980. v. 5. p. 40-2.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-4316688204345952881?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/4316688204345952881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/4316688204345952881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2008/10/caminho-de-casa-entro-num-botequim-da.html' title='A Última Crônica'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-3336398587566559708</id><published>2008-09-26T07:23:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T14:41:28.483-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Deus, me dá uma reportagem?</title><content type='html'>Estava andando, pensando, andando, pensando... "talvez amanhã dê &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;pr&lt;/span&gt;'eu...". Fim.&lt;br /&gt;Estouro, estouro, estouro, estouro, estouro... Pequenos, mínimos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;projéteis&lt;/span&gt; propalaram-se arbitrariamente e uma delas, ou mais - provavelmente mais, mas eu já não tinha o dom de sentir - atingiram meu pensamento.&lt;br /&gt;Pra quem me olhava de fora, eu era um corpo estendido na calçada da Lapa do Rio de Janeiro. Eram duas da manhã e eu voltava da casa de uma pessoa quando, inopinadamente, fui atingido por vários tiros numa dessas &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;mini&lt;/span&gt;-guerras civis entre cidadãos pobres, ligados à alta classe dos donos de plantações de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;maconha&lt;/span&gt; e laboratórios de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;alucionógenos&lt;/span&gt;, e  cidadãos pobres ligados ao governo corrupto e usurpador. "&lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;Homo&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;homini&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;" class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;lupus&lt;/span&gt;". Parabéns, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;Thomaz&lt;/span&gt; Hobbes.&lt;br /&gt;Eu morri. Foi instantâneo. Eu ainda ouvia meu coração batendo num ritmo cada vez mais lento, ainda ouvia passos frenéticos e gritos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;estentóreos&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;O que aconteceria agora?&lt;br /&gt;Eu tenho vinte e dois anos e nem terminei a faculdade de jornalismo ainda. Eu não queria morrer assim, sem esperar. Queria passar aqueles anos da velhice onde a gente fica pensando como é isso, se a gente encontra mesmo com o tal Deus, se ele vem nos buscar. Ah, mas o pior é não ter exercido a profissão de jornalista, não ter influenciado as pessoas, formado opiniões, eu queria me sentir &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;mídia&lt;/span&gt; um pouco.  Mania de jornalista.&lt;br /&gt;- &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;Oi&lt;/span&gt;, Deus. Deus! &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;OI&lt;/span&gt;! &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;OI&lt;/span&gt; DEUS! - acho que pensei isso. Pensar, nem sei se é isso que a gente faz quando morre.&lt;br /&gt;Ele ainda não apareceu. Talvez nunca fosse aparecer, eu nunca acreditei nele. Nunca fui à igreja rezar. Me recusei até a ser &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;batizado&lt;/span&gt;. Talvez eu vá p'&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;ro&lt;/span&gt; Inferno. É ruim pensar nisso agora. &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Digo&lt;/span&gt;, eu quero ir p'&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;ro&lt;/span&gt; Céu. Talvez lá &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;estejam&lt;/span&gt; o Gore &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;Vidal&lt;/span&gt;, o John &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;Steinbeck&lt;/span&gt;, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_21"&gt;Stephen&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_22"&gt;Crane&lt;/span&gt;, o &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_23"&gt;Seymour&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_24"&gt;Her&lt;/span&gt;, quem sabe até Shakespeare e todos os meus escritores preferidos. Ou talvez não.  Porra, talvez eu &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_25"&gt;encontre&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_26"&gt;Marley&lt;/span&gt; se eu for pro Inferno. Mas, e se Henri &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_27"&gt;Cartier&lt;/span&gt;-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_28"&gt;Bresson&lt;/span&gt; estiver no Céu? Por que eu não paro pra pensar em mim mesmo?&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_29"&gt;Dizem&lt;/span&gt; que Raul aceitou Jesus momentos antes de morrer. Será que eu ainda posso?&lt;br /&gt;-Posso, Jesus? - ele não responde.&lt;br /&gt;O que é o Céu? Minha avó dizia que era um jardim com um rio infinito e muitas orquídeas sempre floridas e no seu mais perfeito estado. Mas eu odeio jardins, eu odeio orquídeas e eu odeio rios. Isso é paradoxal ao conceito da Bíblia do lugar surreal e perfeito que deveria ser o Céu. Sinceramente, o Céu não pode ser um pra todos. E o Inferno... Não consegui terminar de... de... de pensar, eu estava &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_30"&gt;enxergando&lt;/span&gt;. Ou não. Eu só via a mim mesmo. Não, não era um daqueles momentos &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_31"&gt;clichês&lt;/span&gt; que dizem que acontece quando a gente morre. Esses de filme da vida. Isso é mentira, eu sou a prova. Mas eu via a mim, não meu rosto, não meu corpo, mas a mim.&lt;br /&gt;O resultado dos vinte e dois anos, três meses e quase oito dias. Todas as minhas decepções, arrependimentos, êxtases, tudo num nada &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_32"&gt;disforme&lt;/span&gt; que eu entendia perfeitamente. Eu não havia, apesar de tudo, sido uma má pessoa. Eu olhava com calma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_33"&gt;pr&lt;/span&gt;'aquela imagem à minha frente. E uma paz absoluta me tomou o... o... corpo? O Nada. É mais fácil assim. Chamar de nada o que a gente não entende é costume humano desde sempre. Uma paz absoluta tomou o meu Nada. Não via Jesus, nem as barbas de Deus, só o Nada. Talvez, no fim, Deus seja essa paz e o Céu é a certeza de que eu não tenho arrependimentos dessa vida.&lt;br /&gt;Eu queria fazer uma reportagem sobre isso.&lt;br /&gt;- Guigo, acorde, a aula acabou.&lt;br /&gt;- Cara, não passa um filme de nossa vida quando a gente morre, sabia?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-3336398587566559708?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/3336398587566559708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/3336398587566559708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2008/09/estava-andando-pensando-andando.html' title='Deus, me dá uma reportagem?'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-4610110906023847127</id><published>2008-09-18T05:36:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T14:41:28.483-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Me empresta tua sensibilidade?</title><content type='html'>- EU VI O JEITO QUE ELA OLHAVA PRA VOCÊ! E VOCÊ AINDA RESPONDE "BOA NOITE"! VOCÊ É IGUAL A TODOS OS HOMENS MESMO!&lt;br /&gt;Ela estava vermelha; passava as mãos nos olhos violentamente para limpar as lágrimas - esse orgulho sandeu típico das mulheres. Ela tinha raiva de mim, mas descontava em si mesma; gritava com uma voz que vinha rasgando toda a garganta, se arranhava e borrava a &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;maquiagem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;maquiagem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; essa que ela havia lhe custado toda a tarde.&lt;br /&gt;Eu não sabia o que fazer, fiquei olhando com uma cara que - imagino eu - era igual à do &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Garfield&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Algo como: "Tá, e...?". Estávamos no meio de uma formatura e todos olhavam pra gente. É incrível como as mulheres, por mais educadas, por mais comportadas, conseguem perder a compostura às vezes, elas se &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_3"&gt;transformam&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; de tal maneira que só Deus sabe da onde elas tiraram tanta deselegância em cima daqueles saltos. E eu, realmente, não sabia o que eu tinha feito para despertar aquilo. Afinal, eu havia sido educado, certo? Foi assim que ela me conheceu, eu sempre falei com todos. E ela achava lindo, dizia que eu era educado, que eu era um&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_4"&gt;gentleman&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Tá, isso não foi, mas e o que foi? Era difícil pensar enquanto ela ainda gritava coisas como "você não me &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_5"&gt;am&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;..." eu queria pensar, alguém manda ela parar de falar? Talvez todo aquele furor tenha sido porque eu não fui ao cinema com ela na quarta. Talvez por não ter ligado na quinta, ou por ter que estudar na sexta, quando a gente sempre ia à praia. Na verdade, eu acabo de notar que eu quase nunca tenho tempo pra ela. Mas eu sempre achei que estava tudo bem. Ela sempre dizia: "Ah, tudo bem...".&lt;br /&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_6"&gt;Institivamente&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, foi se formando em minha cabeça o restante daquela frase, que ela às vezes soltava, mas eu não era capaz de perceber. Quando ela dizia: "tudo bem...", ela também estava - no seu tom de voz solitário, triste, meio Picasso, meio Victor Hugo - dizendo: "Tudo bem, meu amor, é só que eu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_7"&gt;tô&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; com saudade do teu cheiro; da tua voz; do teu toque; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_8"&gt;tô&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; com vontade de te abraçar; de &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;encostar&lt;/span&gt; minha cabeça no teu peito e morder tua camisa; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_9"&gt;tô&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; com vontade de colocar tua cabeça sobre as minhas coxas e &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_10"&gt;bagunçar&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; o teu cabelo p'&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_11"&gt;ra&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; nenhuma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_12"&gt;baranga&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; olhar pra ti na rua; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_13"&gt;tô&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; com vontade de te abraçar um 'eu te amo'."&lt;br /&gt;Mas agora ela já havia corrido para o banheiro e eu não ostentava mais uma máscara de &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_14"&gt;Garfield&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;, senão uma quase-expressão-&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_15"&gt;ultra&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;-expressionista de tudo e nada, sentido todos aquelas pontadas no coração. Sentei no banco mais próximo, apoiei o cotovelo na coxa e o queixo na mão e pensei: "que merda...".&lt;br /&gt;Afinal, o que aconteceu? &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_16"&gt;Digo&lt;/span&gt;, o que EU fiz? A gente namorava há dois anos e, no princípio eu sempre ligava, sempre dava atenção, mas já há uns meses eu não tinha mais tempo pra ela, ou tinha e queria acreditar que não. Ou eu não tinha mesmo. Mas, se eu não posso abdicar a minha vida pra passar uma tarde com ela, eu não merecia estar com ela. Claro que ela não estava com ciúme, ela me amava, quem ama não sente ciúme. Toda aquela faladeira não tinha sido um "não fale com ela" senão um "fale comigo!".&lt;br /&gt;Tudo é, na verdade, falta de confiança, de segurança e de maturidade. Maturidade. A principal, aquela que estende o tapete para todas as outras. Já dizia Caetano: "ou você me engana, ou não está madura."&lt;br /&gt;Eu já estava cansado de esperar. Não sentia meu coração, sentia que ele estava naquele banheiro e que ele continuaria lá mesmo que ela saísse, como se ela tivesse fincado todo ele num &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_17"&gt;pedaço&lt;/span&gt; de mármore frio tal qual uma &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_18"&gt;Escalibur&lt;/span&gt;. E eu sentira que eu teria que achar um cavaleiro medieval dentro de mim p'&lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_19"&gt;ra&lt;/span&gt; &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_20"&gt;auferí&lt;/span&gt;-lo de lá.&lt;br /&gt;Meus olhos fechar-se-iam de cansaço no momento em que ela saia do banheiro com fadas adornando-a. Ela nunca me parecera tão linda. Eu só consegui pular em cima dela, abraçando-a meio sem jeito. Não adiantava agora dizer que eu ia mudar, mulheres não gostam de promessas, gostam de fatos.&lt;br /&gt;- Me abraça. Me abraça não me solta nunca mais - foi o que eu achei válido ser dito ali.&lt;br /&gt;Não sei quanto tempo ficamos ali, só sei que fui aos poucos sentindo meu coração novamente em meu peito e em meus braços, e só consegui largá-la quando ela disse "eu te amo". No fundo, eu sempre soube o que acontecia, e, nessas horas, o homem - silenciosamente - inveja a sensibilidade feminina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-4610110906023847127?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/4610110906023847127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/4610110906023847127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2008/09/eu-vi-o-jeito-que-ela-olhava-pra-voc-e.html' title='Me empresta tua sensibilidade?'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6771366319117463235.post-98668153066455855</id><published>2008-09-11T07:39:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T14:41:28.483-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>As intenções por trás dum macarrão</title><content type='html'>Eu havia feito um Spaghetti à Carbonara, desligado todas as luzes e estava sentado à mesa, esperando. Ela acabava de sair do banho; estava linda com seus cabelos negros e molhados presos num rabo-de-cavalo que deixava à mostra seu pescoço alvo. O delicioso cheiro do creme para pernas dela dançava na atmosfera quase me fezendo flutuar.&lt;br /&gt;Ela atravessou toda cozinha até chegar perto da mesa e sentar-se comigo, na cadeira à frente da minha.&lt;br /&gt;- As luzes queimaram, meu amor? - a voz dela era de um semi-soprano doce que funcionava como uma psicotrópica para mim.&lt;br /&gt;Meti a mão no bolso da bermuda e tirei uma caixa de fósforos, risquei um e comecei a acender as velas, eram oito, no total. Fui acendendo e encarando-a, e notei que, à medida que eu ia acendendo as velas, acendendo-se-iam velas nos olhos dela e, ao término da oitava, os olhos dela brilhavam como duas estrelas supernovas.&lt;br /&gt;Eu havia preparado toda a mesa, o castiçal, a garrafa de Coca-Cola - nada romântica, por sinal, mas a Coca tinha, para nós, um significado especial que a tornava indispensável - uns pratos de porcelana inglesa com detalhes em vermelho, os talheres de alumínio e um jarro enorme de lírios rosados. Estava tudo numa sincronia especial sob a luz amarelada que as velas emitiam.&lt;br /&gt;Ela ficou um tempo a me olhar com aqueles olhos que, de tão quentes, queimavam-me o rosto, e de tão brilhantes, ofuscavam-me as vistas; eu era obrigado a olhar para as velas que, perto dos olhos dela, não tinham nenhuma luz.&lt;br /&gt;- Como é que você consegue ser tão perfeito?&lt;br /&gt;Essa pergunta era tão constrangedora que a única coisa que eu podia fazer era sorrir e abaixar os olhos, me sentindo um menino. Fiquei a mirar o chão até que vi, pelo canto do olho, ela se levantando e deixando o roupão deslizar para o chão.  Nesse instante, não haviam mais velas acesas, todas as luzes do ambiente, agora, provinham daquela obra renascentista em minha frente.&lt;br /&gt;De ímpeto eu me levantei, caminhei até ela e a levantei no colo, levando-a ao sofá. Que importava o jantar? Meu prêmio maior já estava em minhas mãos, literalmente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6771366319117463235-98668153066455855?l=escrevendoemsustenido.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/98668153066455855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6771366319117463235/posts/default/98668153066455855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escrevendoemsustenido.blogspot.com/2008/09/as-intenes-por-trs-dum-macarro.html' title='As intenções por trás dum macarrão'/><author><name>more one marketing's game.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/09600450877509618019</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_PZq1OKM1BAQ/SSLICIGFvsI/AAAAAAAAAJg/17MN45bpyss/S220/ATgAAABKzzU_wvikqfbEHlPrbtaL6XWs8djq4E_gbCbhOnjRU2B2UqXVtGeCNmCL9TvHHyd0soUrr-koUYeNEZZWdjP8AJtU9VCaUnlgNkkyR6uLlPzxHXYnWTVlUw.jpg'/></author></entry></feed>
